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ESTRELANDO: Reese Comacolherdela, Marcos Buffalo
DIRETOR: Marcos Aguas
ANO: 2005

Do modo como eu vejo as coisas, humanos são apenas um tipo de animal extremamente sofisticados (se o processo mental de um ser humano valesse 10 pontos, golfinhos e os mais desenvolvidos dos macacos atingiriam 3 ou 4 no máximo). Ser melhor, no entanto, não nos torna diferentes. O melhor jogador de futebol do mundo não tem uma profissão diferente do zé orelha peladeiro da quinta divisão do campeonado do Amapa. Ele é apenas melhor, mas não diferente.

Uma coisa que dá bastante crédito a esta observação é o fato do quanto o ser humano mudou essencialmente pouco desde a época dos seus avós neanderthais nas cavernas. Queremos a femea mais fértil disponível (e as femeas querem o macho mais dominante possível), queremos abrigo do frio, queremos pertencer a grupo homogeneos que sejam “nós” para enfrentar todos os outros “eles” que estão lá fora, queremos comida, queremos nos comunicar, queremos ficar esparramados a toa em dias quentes e modorrentos.

Alias, diga-se de passagem, como qualquer mamifero cordado.
E quanto você trabalha diretamente com pessoas com baixissima formação intelectual vê que as pessoas realmente são apenas animais inteligentes, e algumas delas tem que ganhar o adjetivo “vagamente”. Tanto é que a psicologia para treinar uma criança, ou diabos, mesmo um adulto, não é tão diferente assim do que comprovadamente funciona com animais

Neandertallica

Algo como isso.

Outra caracteristica marcante do ser humano é que somos de longe a mais social de todas as outras criaturas. Ao contrário dos passaros, temos intrincados rituais sociais com mais funções além do acasalamento imediato passando em muito o nivel de organização social que se encontra em insetos como formigas e abelhas. Acredite, eu trabalho com burocracia e posso te dizer que nenhuma formiga teria inventado isso… Mas eu dizia que somos criaturas sociais e precisamos fazer parte de um grupo tanto quanto precisamos nos expressar.

Quando o homem da caverna queria se expressar ele desenhava as coisas que ele conhecia nas paredes com morango silvestres, sangue de bufalo e pasta de aipim. Ou então porque ele estava tentando explicar alguma coisa a um colega particularmente burro e chegou ao ponto de “ta claro assim ou quer que eu desenhe, sua anta?”

As vezes eles apenas tinham chá de cogumelo e tempo demais em suas mãos

Da mesma forma, pouco mudou o modo que as pessoas encaram o exótico e selvagem mundo lá fora. Quando caia um raio o homem das cavernas não sabia que porra era aquela, batimá. Então a unica explicação que poderia fazer sentido para ele é que havia um homem morando em cima das nuvens e que jogava aquilo quando ele ficava puto (porque é algo incrivel e barulhento e assustador, tem que ser produto da putice de alguem). Com efeito, não é exatamente estranho hoje pessoas terem medo de raios porque o instinto pré-histórico de pavor e deferencia ainda está lá. Mas voltando ao homem das cavernas, ele então deduziu que deveria agradar ao homem das nuvens para que ele não jogasse uma dessas coisas na sua cabeça de cro-magnon – o que é um pensamento bastante razoavel, uma vez que voce assume os parametros que os definiram como verdadeiros. Nascia assim a primeira religião do mundo. o tenhomedodelevarumraionacabeçaismo.

Aproximadamente 100 mil anos depois, como tudo no ser humano, poucas coisas nas suas diretrizes primitivas mudaram. O cara que mora em cima das nuvens tem outro nome, os raios agora são outra coisa e os rituais são mais e mais complexos. Mas em essencia, em essencia mesmo, ainda somos os neanderthais assustados querendo no fundo só continuar nossa vidinha de comida, reprodução e sonequinha e esperando que o homem do céu nos esqueça para que possamos fazer isso em paz. E digo com toda sinceridade que se pode dizer, não há nada mais humano do que isso.

Humanos, enfim.

Sabe, existem muitas coisas dificeis em ser ateu. A falta do conforto da figura protetora onipresente, toda a coisa “somos um acidente bioquimico soltos numa pedra girando em torno de uma bola de gas entre o nada e o lugar nenhum” e principalmente a coisa do “life sucks, then you die”. Pessoalmente a vida não ter proposito ou sentido me assusta mais do que a coisa dela acabar – embora históricamente o ser humano parece muito mais preocupado em viver para sempre do que sacar o que fazer com a vida. Curiosamente nunca ouvi uma boa resposta para o que diabos alguem pretende fazer durante todo o maldito resto da eternidade sem enloquecer de tédio e tentar esfaquear Deus no olho, mas isso é outra história.

Mas o que realmente me incomoda em ser ateu é a falta da coisa social. Vê, não a coisa de pertencer a um grupo homogeneo – para isso existem times de futebol se mais nada – e sim a coisa de poder falar sobre o que você pensa, expor como você vê o mundo. Isso é tão natural e intrinseco ao ser humano que chega a doer que seja um direito negado. Claro, voce pode sempre escrever num blog que ninguém le, mas isso meio que não resolve a questão. Tenho certeza que o neanderthal pintor chamava todos seus amigos da caverna proximos para ver o alce que ele desenhou… ou o babuino com uma ereção, ele não desenhava tão bem assim e era dificil dizer.

Voltando ao meu ponto, a questão é, sim, claro que você pode falar sobre o que pensa, sobre como vê o mundo, sobre o que acha da vida, do universo e de tudo mais. Poder você pode. Mas isso torna você um babaca idiota. Sério, é meio que o que Richard Dawkins faz da vida e ele é um idiota constrangedor.

Obviamente que pode ter ocorrido a possibilidade de falar com outros ateus a respeito disso, mas sério, até hoje não conheci um que não fosse um babaca cuzão. Olha que me fazer sentir vergonha alheia é um dom raro, mas ateus possuem este dom. Pessoas cujo maior ORGULHO na vida é entrar na fila das crianças que querem sentar no colo do papai noel no shopping pra explicar porque papai noel não existe. Sério, que tipo de babaca faz isso?


Conhecimento deve ser buscado e não imposto, pois do contrário você apenas estaria trocando um tipo de prisão por outra” – Ezio Auditore di Firenze

Honestamente eu entendo porque as pessoas tem fé. Mesmo. E entendo porque isso é importante para elas, porque mesmo no fundo elas sabendo como o mundo realmente funciona, elas precisam dizer para si mesmas certas coisas para conseguir aguentar e seguir em frente. Eu honestamente entendo e respeito isso. É realmente importante para elas, então fine, ok. Por isso eu não discuto religião, por isso eu não falo sobre o que eu penso da vida, do universo e tudo mais. Porque é ofensivo. Porque é cruel tirar a esperança das pessoas sem dar nada em troca. Porque é imaturo.

“O que a senhorita Kaoru diz é uma mentira na qual apenas quem nunca 
matou pode acreditar.Mas, mais do que uma verdade amarga como essa,
este servo prefere as doces mentiras da senhorita Kaoru” – Kensin Himura

Dito isso, eu realmente não poderia me importar menos com o que as pessoas acreditam ou deixam de acreditar. Sério, go nuts. Desde que não respingue em mim, beleza, ok

Eventualmente, no entanto, por mais que eu tente ser neutro e me manter longe da discussão, acaba respingando em mim. E é aí onde entra esse filme “fofinho e inocente”.

“E se fosse verdade” é uma comédia romantica baseada no livro homonimo. E por ser uma comédia romantica voce ja sabe como termina assim como sabe para que tipo de publico foi escrito: mulheres que acham que relacionamentos e romance tem haver com magia, destino e blablabla. Um único dia como homem as faria ver que não tem nada magico ou mistico na coisa da conquista, mas até aí, assim como conjuradores e combatentes em D&D, homens e mulheres não estão jogando o mesmo jogo.

A grande pira desse filme é que Elisabeth era uma médica mary-sue ubber fodona e incrivel, que era tão legal e tão boa que não tinha tempo pra sua vida. Trabalhava turnos de 26 horas direto por 2 minutos de descanso salvando velhinhos, tuberculosos e leichimaniosos. Honestamente eu nem sei que diabos é  leichimaniose, mas o nome é legal pelo menos.

Ai quando finalmente quando sua irmã a convence que tava na hora de provar o vai-vem da piroca ensandecida e conhecer um homem, ela sofre um acidente e morre.

Enquanto isso, no lustre do castelo, o viuvo de coração partido Zé (esqueci o nome dele, whatever) esta procurando um apartamento para fazer seu novo ninho da solteirice suprema. Após muito procurar sem sucesso um apartamento pra gente normal em São Francisco (se tem algo que eu aprendi sobre essa cidade é que ela é composta apenas por gays e ladeiras… não necessariamente neste ordem) o destino joga na cara dele, literalmente, o apartamento em que Elisabeth morava antes de bater com as dez.

o que Zé não esperava era que o fantasma da Betinha resolvesse brincar de Besouro-Suco e achasse que ainda morasse no apartamento. Juntos agora Zé e sua nova companheira de quarto sem atributo de constituição vivem altas aventuras, se apaixonam, Lizzie re-ensina Zé a viver e blablabla. Insira doses diabétizantes de açucar aqui, incluindo uma cena de “amor sobrenatural”.  Sim. Eu sei.

Se fosse só isso, sério mesmo, seria bonitinho. É um filme bem feitinho, bem amarradinho, com momentos engraçadinhos, a atuação da Reese Whiterspoon como “chatinha adoravel” está muito ok e o Mark Rufallo como Zé passa bem a idéia de cara comum com quem eu posso me identificar e logo gostar.

Não foi um filme feito pra mim, nota-se isso pela ausencia de dinossauros, mas ok, eu consigo aceitar as diferenças e viver com isso.

SE fosse só isso, eu nem estaria escrevendo esse texto já que seria só um filme ok – não realmente ruim, mas nada awesome também

O problema é que a trama se complica. Elisabeth na verdade… não está morta!

Lizzie está em coma! Oh! Vê onde isso vai dar? Quer dizer que há um caminho para os dois ficarem juntos para sempre (ou até subir os créditos) sem envolver Lizzie incorporar a Whoopie Goldberg ou Zé cometer um detalhado seppuku (felizmente não é um filme do Lar Von Tier). Há muita felicidade neste caminho!

Mas então, como boa comédia romantica, algo terrível vai acontecer que os separará para sempre a menos que o poder do amor (e do homem correr muito atrás enquanto a mulher não faz porra nenhuma) poderá mante-los unidos!

Acontece que como médica ubber foda, Lizzie era a favor da eutanasia e deixou isso por escrito, e agora sua irmã vai autorizar que ela desligue os aparelhos e assim Lizzie vai morrer e eles não ficarão juntos para sempre! OH NOES!

Assim é mais uma ardua tarefa para o poder do amor salvar Lizzie e garantir um final feliz para todos! Yay! Felicidade e açucar for everyone!

Mas espera um minuto aí… deixa eu te perguntar uma coisa. Uma coisa bastante pessoal. Você já teve alguém realmente próximo a você em coma? Eu digo coma de verdade, não do tipo “uau, dormi até o meio dia, estava em coma”. E não, coma alcoolico não conta, engraçadão. To falando de verdade, do tipo “essa pessoa não vai mais acordar e na eventualidade de acordar não vai ser muito melhor do que um pedaço de nabo… to brincando, o nabo ainda vai ser neurologicamente mais desenvolvido que ela”. Sabe como é essa sensação?

Se você tiver muita sorte, a resposta vai ser “não, não faço idéia”.
Bem, eu posso te dizer que não sou uma pessoa de sorte.

E sabe qual a pior coisa de ter alguém que você ama em coma? Não é tanto pela pessoa, mesmo. Você entende que ela já foi, já elvis, sentou na graxa, ta na terra dos pés juntos, kaputz, arrivederci, sayonara, ciao bella! O que realmente dói, o que arrasa mesmo é o estado que fica a família. Sabe, as outras pessoas que você ama. Que ficam esperando um milagre, que ficam esperando uma coisa mágica que não vai acontecer.

A esperança consome muito mais do que a perda, acredite.

Quando todos os exames dizem que o melhor que pode acontecer a esta pessoa é ela simplesmente morrer, porque do contrário as ficarão realmente feias e deprimentes… você então ouve alguém dizer que “as maquinas não podem saber tudo”.

Que, surpresa, surpresa, é exatamente o tipo de frase que é dita neste filme “inocente e bonzinho”. Propaganda idiota vendida a rodo. Filmes idiotas como esse vendem o fato de que o poder mágico do amor pode superar fatos. Em situações normais eu não me importaria com isso, mesmo, as pessoas fazem o que quiserem das suas vidas e não é da minha conta. Não é problema meu. Mas quando pessoas realmente importantes pra mim sofrem inconmensuravelmente por causa desse tipo de propaganda “inocente e boazinha”, bem, então eu diria que é sim meu problema.

Mas vá lá, talvez eu pudesse viver com a coisa do “poder magico do amor mimimi”. Ok, eu posso. Mas a clara propaganda contra a eutanasia que é esse filme é algo que realmente faz eu ainda sentir alguma coisa alem de “bah, não é problema meu”. Eutanasia é uma solução digna e honrada para corpos cuja unica função neste mundo passa a ser sofrer e gerar sofrimento. É a escolha entre ser uma pustula inerte de dor e sofrimento por anos a fio, ou ter um fim limpo e digno e poupar ANOS E ANOS de sofrimento da sua familia.

Então não, eu não posso endossar uma propaganda “inocente e bonitinha” cujo unico proposito é trazer sofrimento as familias. Sim, eutanasia É uma coisa maravilhosa e faz muito bem a todos. NÃO, pessoas com meses de coma não acordam sem uma sequela sequer e muito menos seus fantasminhas não saem voando por aí pedindo “por favor não me mate”.

Alias, maldito legado nojento do Espiritismo. veja, como eu disse antes eu apóio que as pessoas tenham uma religião. é importante e torna a vida mais fácil. Não é verdade, claro, mas a verdade é um fator irrelevante perto dos beneficios. Eu inclusive entendo os fanáticos religiosos – a bem da verdade eles fazem bem mais sentido do que os “normais”, porque se é pra considerar essa porra toda verdadeira então é pra levar a sério MESMO essa coisa.

A única exceção que eu não consigo fazer no meu “ah, que gracinha viu” é quanto ao Espiritismo. Esse bando de abutres covardes predam justamente pessoas vulneraveis emocionalmente. Eles se refestelam em cima da dor, do desespero e da fraqueza alheia em troca de poder (em vários niveis, nem estou falando de dinheiro aqui) e de paz interior (no melhor estilo “estou fazendo minha parte”). O Espiritismo é um reduto de monstros covardes que não hesitam por um instante sequer em se alimentar da dor e do desespero de quem perdeu alguém querido, e isso é das coisas mais vis e NOJENTAS que se pode fazer.

Quer explorar pessoas? Beleza. Mas porra, tenha pelo menos a dignidade de fazer isso com adultos que saibam o que estão fazendo, merda. E não se aproveitar da dor e do sofrimento de quem perdeu alguém pra afirmar sua autoridade dizendo que fulaninho está num lugar de muita luz, de paz e que escreveu uma carta com sua receita de donuts favoritas. VÃO SE FODEREM SEUS CALHORDAS CRUÉIS!

Sério, porque não pegam alguém do seu tamanho?

Ah bem, whatever…

… seja como for, alem do filme ser uma propaganda de duas horas contra algo bom e dignificante como a eutanasia, tem outro aspecto pior ainda: a doação de orgãos. Porque para se extrair orgãos de um cadavri vivo é necessária confirmação da morte encefalica. Ok, coma e morte encefalica são duas coisas muito diferentes e qualquer médico que só assistiu House na vida sabe diferenciar.

O problema é que a propaganda “estou viva e tem um fantasma de eu andando por ai” respinga nesse aspecto também. Com que segurança você pode autorizar doar orgãos de alguem que voce ama (o que nunca é fácil por si só) quando esse lixo de propaganda diz que “as maquinas não sabem tudo e temos sempre que confiar no poder do amor e do aperto de mãos”?

Sério, você autorizaria esse tipo de coisa quando a propaganda martela na sua cabeça que a medicina não entende porra nenhuma e o mundo é magico e maravilhoso se voce bater seus calcanhares tres vezes e dizer que “não há lugar como nosso lar”?

E enquanto lixos como esse vendem sua propaganda para mulherzinhas (que são apenas mais de metade da população, ta-da), pessoas que realmente precisam de orgãos que não servem mais pra porra nenhuma estão com sua vida interrompida, sofrendo (não raras vezes fisicamente mesmo, com putas dores lancinantes) e esperando a boa vontade da srta. cuzãozona aí que quer se agarrar num pedaço de carne que pra ela não vai servir pra mais nada porque foi martelado na cabeça dela repetidas e repetidas vezes que “ah, vai que o poder do amor supera tudo e comigo é diferente porque se eu desejar o bastante vai ser verdade”.

Até esse ponto era só engraçadinho. Depois disso já é monstruoso e cruel.
É como aquele livro/filme “O Segredo”. Não tem nada errado ter pensamento positivo, mas quando o cabra desiste de procurar emprego e fica em casa só pensando positivo, você sabe que a merda deu no ventilador. E como eu sempre digo, se fosse só com ele, beleza, cadum, cadum, cada um é responsavel pelas proprias escolhas (por isso eu sou completamente a favor da liberação das drogas… em parques fechados onde as pessoas não pudessem levar as consequencias das suas merdas para mais ninguem). Mas quando isso começa a fodelançar a vida das outras pessoas, bem, aí tem um problema configurado.

No fim, é um filme bonitinho com uma mensagem completamente egoista, idiota e ordinária, e que vende uma propaganda não só estupida, como cruel no sentido mais puro da palavra.

E dizer que eu vi uma comédia romantica cruel e má, em sua própria essencia, é um dos maiores passos para poder dizer que eu já vi tudo na vida. Mesm0.

 

 

ESTRELANDO: Cristovão Valsa, Hitler, Tyler Durden
DIRETOR: Quentin Tarantino
ANO: 2009

Eu já falei por aqui mais de uma vez que hoje em dia o politicamente correto permite que se faça piadas/humilhe/mutile poucas “classes”  (por falta de palavra melhor).

Não é a troco de nada que 90% dos filmes e jogos se resume a explodir aliens, zumbis, pessoas gordas, mutantes e arabes – depois de deixar muito claro que são apenas capitalistas gananciosos querendo dinheiro e nadica de nada religiosos – e nazistas. Para todos os efeitos legais do cotiadiano esses acima citados não são seres humanos de verdade e por isso podem ser tratados como o coco do cavalo do bandido com diarreia depois de comer o dogão morte-lenta da porta do estádio.

O melhor exemplo disso é o jogo Metro 2033, onde em um futuro pós-apocaliptico se alinharam todas as coisas que se pode matar hoje em dia em corredores escuros. Mas embora seja o mais iconico dos exemplos não é nem de perto o único.

Se não acredita, digite no google “Fat people should” e espere as opções de resposta. Se bem que se voce não acredita é porque obviamente não é e nunca foi gordo, zumbi, alienigina, mutante, nazista, limo acefalo e etc – e portanto não é realmente problema seu.

Verdade que existe uma nova moda de pessoas mataveis no entretenimento que homens brancos capitalistas são lambedores dos testiculos de satã e tambem podem ser mortos sem peso na conciencia, eis um fato da vida.

Seja como for, onde eu queria chegar é que no fim das contas os filmes de ação hoje em dia são sobre isso. E isso não é necessáriamente ruim, sabe.
Com exceção dos PIMBA (pseudo-intelectuais metidos a besta e associados), indies e etc, qualquer pessoa minimamente decente sabe que não é função do cinema salvar as pessoas delas mesmas, quanto mais militar em uma causa que ninguém quer ouvir (se quisessem haveria demanda para isso, mercado is a bitch).

As vezes os filmes são apenas para voce desestressar, relaxar e ver pessoas que não são de verdade sendo explodidas em pedaços. Porque sabe, a partir dos 7 anos de idade uma criança já tem capacidade de discernir realidade de fantasia – não que muita gente pareça ter atingido essa idade mental dado o policiamento que se faz em obras de ficção.
just because is fun.

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AAAAAAAAAWWWWWW YEEEEEEEEEAAAAAA
Cada vez que voce diz em voz alta que filmes podem apenas ser divertidos, um produtor indie compra ações da Microsoft 

Agora diga, quando você pensa em pessoas sendo explodidas e mutiladas artisticamente com o melhor que o cinema B tem a oferecer, qual é o nome que vem a sua mente? Exatamente, Quentin Tarantino.

Claro, mutilar e torturar pessoas gratuitamente seria apenas nojento como revoltante. Vida aí os filmes da série Jogos Mortais ou o Albergue. Doentio e desnecessário são duas palavras que me ocorrem, e olha que eu me criei no 4chan e lendo cyanide and hapiness.

Por isso não, violencia brutal contra pessoas, mesmo pessoas de mentirinha nos filmes, não é o que eu chamo de entretenimento. Agora a mesma dose de ultra-violencia contra não-pessoas, bem, agora estamos chegando a um lugar interessante…

Infelizmente não existem muitas não-pessoas as quais voce pode explodir hoje em dia. Aliens estão meio saturados, zumbis idem, basicamente restam pessoas gordas e nazistas. E deuses, quem diabos pagaria pra ver um filme com pessoas gordas? E gente gorda explodindo? Credoemcruz que horror!

Claro, torturar e surrar arabes também é uma trend possivel, mas honestamente eu não achei A Paixão de Cristo tão legal assim. Sei lá, falta identificação eu acho.

Não, não… Tarantino é um gentleman do trash e sabe que apenas os classicos podem nos dar o nivel de ultraviolencia que precisamos hoje em dia. Como um bom médico ou um bom maitre ele sabe melhor do que nós mesmos do que precisamos. Precisamos de nazistas. Escalpelados.

Ocê deve de te ouvido que nós não tamo no negócio de fazer prisionero, tamo no negócio é de mata nazista. E cumpadi, os negócio tão de vento em popa!

Mas veja, não é necessário apenas matar nazistas. Pff, qualquer um pode fazer isso desde os tempos do Playstation 1. Na verdade, na verdade mesmo, o nazismo é um cachorro tão chutado que é quase instintivo o sentimento de quem nasceu 60 anos depois de tudo estar morto e enterrado: escuta, mas será que é pra isso tudo mesmo?
O revisionismo dá uma boa discussão histórica, mas esse não é o ponto aqui. O ponto aqui é matar nazistas e fazer disso uma experiencia divertida!

Aha, mas  como?
Como, você pergunta? E eu te respondo que a resposta é simples: faça o espectador os odiar! Ódio genuino, como qualquer nerd gordo odiaria o Sephiroth por ter lhe tirado o mais perto de uma namorada que ele iria chegar a ter nos proximos 15 anos vindouros! Hate!

Os odeie tanto quanto você odeia quem coloca arroz por cima do feijão! Sério, o que tem de errado com esses maniacos?

Mas como fazer voce odiar nazistas sem o tiro sair pela culatra? Quer dizer, pela milésima vez o conto da pobrezinha coitadinha familia judia, denovo? Não, é preciso algo mais para fazer voce odiar os nazistas de verdade e esperar que eles ganhem o dom da imortalidade apenas para serem fuzilados por 447 balas na cara até o fim dos tempos.

É preciso… classe.

E esse é o filme B mais elegante de todos os tempos, isso tem que ser dito.

E o grande trunfo desse filme, a grande carta na manga atende pelo nome de Col. Hans Landa. Landa é um agente da SS conhecido como “caçador de judeus” e como o nome indica ele, bem, caça judeus escondidos do reich.

Mas ao contrário do estereotipo fácil do soldado nazista, Landa não é mau como um pica-pau que chutaria filhotinhos e criancinhas dada a oportunidade, bah, isso seria infantil e bobo. Landa é justamente o meu tipo favorito de vilão: elegante, calmo, que senta com você a mesa, te oferece uma taça do melhor vinho e explica tranquilamente porque ele infelizmente vai ter que foder intrinsecamente a sua vida.

Vá em frente, prossiga

A primeira cena do filme é justamente sobre Landa fazendo seu trabalho, chegando a residencia de um agricultor na França onde ele acredita estarem sendo refugiados judeus. E a cena é emblemática por dois motivos: primeiro Landa fazendo seu trabalho é uma das melhores cenas do cinema, foda, elegante e estilosa ao nível Tom usando gravata

Isso é classe, mermão.

Alias sabia que Tom e Jerry foram nomeados em referencia aos soldados alemães  (Jerrys) e soldados britanicos (Tommys) na primeira guerra mundial? Ok, talvez não seja verdade mas se tem algo que eu aprendi sobre a História e os historiadores é que o que REALMENTE aconteceu não é a coisa mais importante dessa ciencia.

Só por essa cena já vale o filme, mas o segundo motivo pelo qual ela é importante é porque ela marca perfeitamente como é todo o resto do filme dali pra frente com o selo Tarantino de qualidade: tomadas de dialogos longos, altamente bem sacados, com muita pouca ou nenhuma ação, uma tensão palpavel e transmitivel ao espectador que termina em violencia gratuita e aleatória. Na verdade a impressão que fica é que o filme de quase três horas tem umas 5 ou 6 cenas de meia hora cada uma.
E são cenas fodas, o que fazem o filme ser LEGEN… esperem por isso… DÁRIO!

Se há coisa melhor que uma cena de ultraviolencia após uma longa cena de dialogo fodastica certamente essa coisa deve ser proibida pela biblia. Ok, não foi um grande exemplo já que a biblia diz que Deus proibe que você use roupas feitas de mais de um material (e você achando que tinha que dar o cu para ir para o inferno, hahaha).

Mas quando eu digo cena de dialogo fodastica é do nível “o Bill explicando a diferença do Super Homem sobre os outros heróis” pra cima (e se voce não sabe que cena é essa, considere-se um biltre pestilento sujo)

Ok, agora você não é mais um biltre pestilento sujo. De nada.

Claro, ficando só nisso o Christopher Waltz (o senhor Landa) já valeria o filme. Com efeito, ele ganhou o Oscar do ano por sua atuação ninja mutante – o que esgotou a cota de justiça do mundo pelos proximos 30 anos. Mas não é só isso.

No canto claro, pesando sei lá quantos quilos e um bigode de respeito temos Brad “Aldo o Apache” Pitt na melhor atuação da sua vida. Brad Pitt já fez muita coisa interessante na sua vida – começando por ter sido criado em Springfield, mesmo, casou com a Jennifer Aniston (que depois trocou por uma qq abaixo dela) e fez o Clube da Luta. Mas embora em muitas vezes tenha estado no lugar certo ele nunca realmente tinha tido uma atuação tão pqpfodilanicamente

Brad Pitt interpretava vampiros bichas antes disso ser modinha

O tenente Aldo Raine, conhecido como “O Apache”  é um homem com uma missão: não apenas matar alemães, isso qualquer bicha velha com uma biblia de 45 quilos pode fazer, não. Aldo Raine trabalha com algo muito mais profundo: o medo. Ou seja, ele é o Batman da segunda guerra.

O tenente Aldo reune então um grupo formado apenas por judeus-americanos com uma missão: saltar atrás das linhas inimigas e causar terror no coração do fuhreristas. Suas palavras são simples, elegantes e profundas:

Como eu disse, se isso fosse feito contra qualquer tipo de pessoa seria errado, doentio e monstruoso – mesmo sendo só um filme. Mas como nazistas não são seres humanos (e alguns deles são até gordos, o que os torna duplamente não-humanos) então é apenas diversão.

Ao introduzir os “Basterds” (o nome do filme é com “e” mesmo, justamente por causa do sotaque de caipira grosso do tenente) Tarantino segue a regra de ouro para personagens secundários: lhes de uma caracteristica chave e fique com isso que as pessoas vão lembrar. Funcionava para a Disney, funciona para matar nazistas.

Apresentados os protagonistas e o antagonista, eis agora o baile: enquanto os basterds estão fazendo o seu trabalho nas oropa e encagaçando o s2 dos chucrutes, surge uma oportunidade de terminar a guerra em uma tacada só pois os quatro grandes do partido nacional socialista estarão no mesmo lugar na mesma noite. E fucking shit, os bastardos tem alguns hoffenheinens safados pra explodir.

Claro que como todo bom filme do Tarantino tem a marca do diretor: a história é contada através de três tramas paralelas (porque hitler e sua elite dos 4 estarão no mesmo lugar na mesma noite é uma delas, ao mesmo tempo que mais pessoas tentarão aproveitar a oportunidade e eles podem ou não acabar se atrapalhando), existem muitos planos envolvidos, pés femininos, muita tensão e mortes inesperadas.

Enquanto o caldo entorna, temos as boas e velhas referencias Tarantinianas mas não na forma pop em que estamos acostumados em outros filmes (até porque seria fora de contexto, dãr) e alem disso ele brinca com outros temas polemicos sem ser piegas. Inclusive, veja você, que soldados nazistas podem ser realmente seres humanos como eu e você, olha só. Em seus dialogos, cenas repletas de significado (mas significado estiloso e não putaria indie) como quando o soldado alemão se sente mal ao ser profundamente homenageado pela façanha monstruosa de ter matado mais de 300 homens Tarantino brinca com conceitos e idéias prontas com a segurança e controle de quem sabe o que está fazendo – usando mesmo ferramentas como o humor negro e o politicamente incorreto de maneira estremamente elegante e cool.

Claro, verdade que ele cedeu a piada fácil e o hitler tem um jeito bem de bobalhão retardado, mas honestamente… depois de tudo, ele mais do que merece poder cair em apenas uma piada fácil. Por exemplo ele tem a manha de encaixar todos os estereotipos raciais conhecidos… ficando extremamente natural e se eu não tivesse dito voce nem teria se ligado da trollagem do Tarantino. Repare que o grupo principal conta com o americano caipira e bruto, a francesa blasé, o inglês supereducado, os nazistas engomadinhos, etc

Bastardos Inglórios nasceu para ser um filme muito diferenciado, elaborado na contra-mão do óbvio, ele é um mundo paralelo e controlado pelas mãos e mente de Quentin. Ele parece fazer e desfazer rindo enquanto dirige, mas neste filme, há um grau de seriedade, um compromisso em mostrar uma outra história com cara de ficção, deformando a História com uma narrativa imaginária, afinal embora muita gente esqueça nos dias de hoje… é só um filme. Felizmente Tarantino sabe disso como poucos. Amem.

Curiosamente, a unica coisa que faltou dos “filmes de Tarantino” foi a participação do mesmo fazendo uma ponta como sempre acontece. Bem, cest’ la vie…

Apenas não cometa o erro de achar que é um filme de ação, porque com exceção de Kill Bill vol1, Tarantino não faz filmes de ação. Ele faz filmes de muitas coisas misturadas (de nerdicie ao faroeste macaronico, passando por muitos outros estilos mesclados num amalgama unico). Mas não ação. Talvez a idéia de ultraviolencia sem ação possa parecer estranha, mas não tanto se você imaginar Laranja Mecanica – que acontece de ser um filme bom de um diretor muito estranho.

Mas isso já é conversa pra outra dia…

You know somethin’, Utivich?
I think this might just be my masterpiece.
(Lt Aldo Raine)

DIRETOR: Henry Sellec (O Estranho Mundo de Jack, que NÃO é do Tim Burton, onde ele foi apenas produtor executivo)

ANO: 2009

ESTRELANDO: Dakota Fanning e… é, só essa de famosa mesmo.

Não existe um consenso claro se esta semana eu estou mais cansado ou mais entediado. Ou cansado de estar entediado. Como meio-termo é viadagem, apenas não sei mesmo. Por isso será uma resenha curta de um filme curto.

Eu não gosto de animes, isso tem que ser dito. É uma midia com vicios de linguagem bobos, feios e chatos (como por exemplo o bom e velho discurso do “poder da amizade” e outras amarelices recorrentes) e um dia eu falarei adequadamente sobre o que eu acho que existe de errado com os animes. Um dia, mas não hoje.

Animes, brrr.

Estou falando de animes porque essa frase que abre o post é uma das poucas coisas boas que eu consigo lembrar de cabeça de já ter visto em um anime. O anime em questão é o esquisito (mesmo para os padrões dos amarelos) chamado FLCL e abre com o pia olhando a fabrica da cidade soltando fumaça ao longe e pensando no quanto a vida dele era desinteressante e previsivel. Ai essa é a primeira fala do anime

“Não existem coisas extraordinárias neste mundo. Apenas o comum acontece”.

Volta e meia eu lembro desta frase, porque há muita verdade nela. Eu olho para a minha vida e vejo o quanto há de verdade nisso, sabe? Não existem grandes aventuras, não existem grandes histórias a serem contadas, não existem grandes heróis ou grandes vilões. O mundo é composto apenas por desinteressantes tons de cinza e embora isso seja realmente seguro, bem, é chato como pegar fila no inferno.

Por isso as pessoas contam histórias. Ou torcem para um time de futebol. Ou tem uma religião. Ou jogam videogame. Ou fazem concurso de arroto. É porque a idéia de não ter algo mais, de ser só isso, de não haver sequer um proposito na vida é realmente opressora. “Tem que ter algo mais, não pode ser só isso”… bem, mas é. Eu realmente entendo as pessoas que abraçam uma fé (seja uma religião, um partido politico ou torcer para o sua marca de abajur favorita), porque a outra opção é bastante… broxante.

Vida real: excelentes gráficos, péssimo gameplay

Aí você pode pensar “mazbah, tu que é um cara tão masculo e poderoso então porque simplesmente não faz outra coisa?”
Acredite, se existisse eu estaria fazendo isso. Eu pessoalmente não acredito em “não dá”, existe só o “estou com preguiça”. Se eu quisesse namorar uma supermodelo ou ser milhonário eu estaria fazendo isso neste exato momento – essas coisas nem são tão dificeis assim – mas sinceramente a quantidade de trabalho que isso daria.. pra que?

Como eu li esses dias de um cara falando dos maconheiros acampados em Wall Street: “se você não tem o trabalho que gosta e não é rico, não culpe ninguém alem de si mesmo”. Claro, alguma chance de você ter nascido inexoravelmente fodido em um lugar lazarento, mas se você esta agora na internetz lendo isso eu posso muito bem assegurar que você não tem a vida que acha que quer apenas por incopetencia sua.

Você pode ser tudo que você escolher ser, essa é a grande verdade da vida – e o maior pavor da esquerda que as pessoas se deem conta disso, mas não estou afim de discutir isso agora. O grande problema é justamente quando você acaba se dando conta que… não existem grandes escolhas a serem feitas. Em qualquer direção que o vento sopre, nada faz realmente diferença pra mim. Eu poderia também dissecar como ser inteligente te torna proporcionalmente mais infeliz, mas a Lisa já fez isso num gráfito e não tem muitoa acrescentar.

E então tem as histórias.
As histórias (sejam elas contadas através de filmes, livros, musica ou mesmo videogames) conseguem te fazer por alguns momentos esquecer que segunda-feira você volta pro trabalho pra fazer a mesma coisa irrelevante para pessoas com as quais voce não se importa por metade do seu dia (sendo que a outra metade envolve dormir ou comer). Algumas histórias fazem isso mais, outras menos. Eu entendo que em determinado nivel no fim tem o mesmo efeito eu ouvir Bohemian Rapsody ou a menininha que fica gritando pelo Justin Bieber seja qual for a porcaria que ele cante hoje em dia. Por seis minutos (um pouco mais, um pouco menos) nós dois compramos uma idéia e esquecemos desse mundo material e previsivel. Você pode preferir A ou B, mas essencialmente o proposito é o mesmo.

E como eu disse, existem contadores de história e contadores de história. Como no cinema temos caras como o Christopher Nolam que conseguem te comprar totalmente por algum par de horas (ao ponto de voce ficar um pouco triste quando acaba … porque a magia se desfaz), em todos os niveis existem drogas para todos os gostos.

some really weird photos from japan11

Todos. Mesmo.

Como já dizia a música dos Gun’s, “nomeie sua doença e nós te conseguimos”. A minha pira particular é pensar fora da caixa, é o que me interessa. Sabe, mundos diferentes, interessantes, realidades alternativas, idéias do tipo “holyshitofmotherfuckinghell” (vote neste para o maior palavrão emendado de 2011!) como eu não pensei nisso antes?

Essa é a minha droga, tem gente que curte filmes iranianos, tem gente que curte ver os clipes da Katy Perry sem estar no mudo. Enfim, cada um na sua mas com alguma coisa em comum. Cara, será que só eu que sinto falta das propagandas de cigarro? Eram as melhores…

Mas continuando, sobre os caras que pensam fora da caixa não tem como não pensar em Neil Gainman. O roteirista/quadrinista/malabarista de pratos/autor inglês consegue se superar em criar histórias muito fora dos padrões. Claro que as vezes ele se perde um pouco, ninguém é perfeito (metade do livro de Sonho de uma Noite de Verão do Sandman são explicações de referencias que se classifica até hoje como maior onanismo literario ever) mas fora pequenos escorregões ele consegue prender sua atenção e desdobrar suas histórias de uma forma bastante… onirica.

E dentre essas obras, uma de suas melhores são os quadrinhos adaptados para um filme em stop-motion: Coraline.
Então vamos a isso. Coraline é uma menina intrinsicamente fodida, sabe? Do tipo de fodidez que dá pra simpatizar com ela realmente – o suficiente para fazer eu gostar dela, logo eu que de todas as pessoas usualmente acho personagens femininos com falas um desperdicio de tempo, como protagonistas então… mas então, Coraline é cool, eu gosto dela.

É nóis que voa bruxão.

Na verdade Coraline me lembra muito a minha infancia, talvez por isso eu goste dela, sei lá. Seja como for, ela é uma menininha intrinsecamente fodida – e não no sentido biblico da palavra. Seus pais, que nunca tem tempo ou interesse por ela se mudaram para um cu de mundo por causa de trabalho, onde sua unica companhia são vizinhos estranhos, velhos, ou velhos estranhos. E tudo mais é cinzento, chato e previsivel. Alem de chover, nada realmente acontece e o tempo se arrasta devagar. Realmente parece muito a minha infancia, colocando por esse ponto de vista…

Seja como for, o legal na Coraline é que ela não fica choramingando ou bitching sobre isso. Bem, é, a vida é uma droga, ninguém poderia se importar menos se ela explodisse em chamas purpuras – muito menos seus pais que estão ocupados demais trabalhando por ela… enquanto a ignoram (adultos, a gente ve por aqui) e a respeito disso ela faz a unica coisa que ela pode fazer: tenta matar o tempo da melhor forma possível. Afinal a vida é sobre isso, matar o tempo até algo acontecer… Não que algo aconteça (não acontece, ta escrito no começo do texto e se ta escrito é pq é verdade), aí você continua matando o tempo até… bem, uma hora você morre e é isso.

Então Coraline está lá, vivendo a vida desinteressante dela da melhor forma que ela pode (não que existam muitas, verdade) quando algo realmente interessante acontece! É por isso que as histórias são fascinantes em primeiro lugar, porque coisas interessantes realmente acontecem! Ao contrário da vida real, onde Coraline cresceria, ficaria mais entediada ainda e apenas morreria cedo ou tarde algo realmente interessante acontece!

Uma noite ela encontra uma pequena porta num dos cantos da casa nova. Atravessando-a, seguindo os ratinhos brancos, (não se começa frases com preposições, alias), ela vai parar no país das maravilhas. Bem, não tecnicamente, mas é bastante claro que Neil Gainman se inspirou bastante no conto de Lewis Caroll – embora o grande truque aqui foi como ele adaptou isso ao seu estilo e juntou outras inspirações… como Stephen King. Mas já chegamos lá.

“Fooooooooooo… deu manolo”

Então nesse outro lado da porta existe um mundo paralelo a este, apenas… melhor.
No outro lado da porta, Coraline vive na mesma casa com seus “outros” pais que não só são muito legais (a mãe dela até é uma mulher de verdade e cozinha, ao contrário da mãe do mundo real) e realmente se importam com ela. Na verdade tudo neste mundo é melhor, mais colorido, mais gostoso, mais vivo, mais magico e interessante. O que existe do outro lado do espelho é uma versão melhorada da nossa realidade.

Quem nunca sonhou com um mundo assim?
Um mundo onde coisas interessantes acontecessem, até mesmo um apocalipse zumbi, uau… claro, 6 bilhões de pessoas morreriam, mas não seria incrivel? Essa questão é bem interessante, tenho que fazer uma nota aqui para lembrar de falar de Highschool of the Dead (outro dos raros membros do clube “animes que eu respeito”). Mas bem, acho que voce pegou a idéia, né? E se alguém simplesmente te oferecesse tudo que você sempre sonhou sem preço algum? Quer dizer tem um precinho sim, bobagem… a unica grande real diferença é que as pessoas não tem olhos e sim botões costurados no lugar dos olhos. O que é muito creepy, diga-se de passagem. Mesmo.

Highschool of the dead. Legendary.

Ah sim, e o preço? Ah, não grande coisa para ficar ali para sempre , você só precisa costurar botões no lugar dos seus olhos, no big deal…

Pareceu meio seco e WTF que alguem ia aceitar isso? Pois é, no filme tambem, claramente faltou tempo de desenvolvimento para a proposta parecer… aceitavel. Seria interessante se melhor desenvolvida…

E a partir daí as coisas ficam loucas, e o filme se passa a parece muito mais com um livro do Stephen King, mais precisamente o meio-para-o-final no ponto onde as coisas deixam de ficar misteriosas e são apenas correria thriller de ação.

Não que o filme não tenha seus momentos creepy, vê, o filme tem toda essa temática visual de bonecos de pano – que podem ser coisas bastante creepy com a direção certa.

Oi, voce precisa me amar… porque eu vim devorar sua alma

Honestamente depois da metade o filme perde um pouco do interessa pra mim que passa a ser sobre a aventura tensa de Coraline lutando pela vida, o universo e tudo mais. Não que seja mal feito, mas é só um videogamezinho (as “missões” que ela tem que realizar são até fases com um chefão no final cada uma) e a Coraline passa do ponto de ser assustada ao ponto de chutar bundas. O que a torna uma menina incrivel, porque ela chuta bundas ainda sendo uma menina bacana e gostavel e nenhuma babaquice feminista de “eu sou mulher então posso tudo”, que é o que usualmente acontece quando não só fazem a cagada de dar falas para uma mulher num filme como coloca-la fazendo qualquer coisa alem de sanduiches.

Bem, o filme é curto (uma hora e meia) e a tocada é bem apressada, embora consiga passar sua mensagem. O filme inclusive tem a manha que os filmes até os anos 80 tinham de apresentar personagens coadjuvantes em uma ou duas cenas, dar uma caracteristica marcante a eles e se agarrar a isso. Hoje qualquer filme que tenha um coadjuvante tem que “ir a fundo na humanidade do personagem” ou qualquer bichisse que o valha e acaba tendo umas 15 horas..sim BenjaminButton, estou olhando pra você. Os coadjuvantes de Coraline são carismaticos, cumprem seu papel e tá bom assim, não precisa mais que isso. Sério. Pa-pum-poff, acabou e voce ainda lembra deles, ta-da

Resultado da pesquisa “coadjuvantes” no google

E no fim Coraline vive grandes aventuras e tal tal tal e descobre que o nosso mundo pode ser legal no fim das contas pode ser um lugar legal, basta as pessoas deixarem de serem cuzonas umas com as outras, que tudo que precisamos para que nossa vida seja incrivel é atitude. Buabuabua a gente gosta de maracuja é o caralho, pq…

“Quando eu fico triste eu paro de ficar triste e fico incrivel ao invés disso” – Barney Stinson, o homem, o mito, a lenda.

E essa é uma excelente lição de moral, se querem saber minha opinião. Life rocks, e se voce não concorda é só procurar na dark cave junto com os zubats.

Pra encerrar, mais Highschool of the Dead pq nunca se tem zumbis o suficiente

PRODUTORA: Naughty Dog
DISTRIBUIDORA: Sony (exclusivo PS3)
JOGADORES: 1
ANO: 2007
Sabe, talvez a pior coisa de estar ficando cada dia mais velho e antissocial (sim, eu uso a reforma ortografica, vá lamber um mogway) é que cada dia que passa você tem menos e menos certezas. Afinal, sou eu que estou ficando mais inteligente ou o resto do mundo está ficando mais burro? Eu estou ficando rabugento ou os jovens estão cada vez mais retardados? Tostines é mais gostoso porque vende mais ou vende mais porque é mais gostoso?

Perguntas, perguntas, perguntas…
Uma das poucas certezas que eu tenho é que eu estou cada vez mais crica com os jogos a tal ponto que hoje em dia eu nem considero as japonezices dos japoneses uma coisa necessáriamente ruim. Pois é, aí tu vê o nivel da coisa. Eu sei que grande parte da culpa disso é minha mesmo, eu estou me metendo numa coisa voltada  claramente para aborrescentes, como que eu não ia achar ruim? Eu deveria procurar alguém do meu tamanho para brincar e parar de reclamar, mas não é exatamente como se eu me encaixasse em algum grupo pra chamar de lar.
Quite like this…
Eu realmente entendo (e isso é uma das coisas que eu mais tenho feito ultimamente, entender as pessoas) que aborrescentes querem afirmar a sua identidade e a coisa de “eu não sou mais criança” (o que é o maior sinal de infantilidade possivel, mas só mais tarde que se dá conta disso). Daí que todos os jogos, direcionados a este publico, tem que ser muito sérios, com muita fodeza, com personagens muito muito machões, mas machaaaaaauuuuummm mesmo.

O resultado? Temos jogos cinzentos ou monocromaticos com um personagem ou silencioso (para que o aborrescente possa viver a fantasia de “uau, sou eu”) ou um machão muito foda que fala frases de efeito idiotas e não respeita ninguém senão os seus próprios musculos (muita fodeza é a palavra de ordem aqui).
Não basta o cara pular um buraco de 15 metros impulsionado apenas por seus biceps masculos e poderosos (?!?), ele tem que fazer isso e dizer uma frase de efeito de muita fodonice do tipo “há, sinto falta do tempo que a gravidade era um desafio para mim”.

Nintendo é frequentemente criticada por não fazer isso com seus jogos. Não que ela não mereça criticas, mas não são esses os motivos certos…
Sério, não tem como não lembrar da classica cena de Halo que o Master Chief fala para o imediato da nave
– Permissão para deixar a estação, senhor
– Para que proposito, Master Chief?
– Para devolver a bomba ao covenant, senhor
– Permissão concedidaTraduzindo: “permissão para ser foda, senhor”.
Uaaaaaau quanta fodeza!
Nossa, acho que meu pinto cresceu uns três metros só de lembrar de tamanha fodocidade, uau!
Voce sabe que a necessidade de macheza nos jogos virou piada quando os titulos são de filme porno gay

Enfim, por aí vai.
Mas sabe, o problema não é o Chefe Mestre. Sério, mais do que ninguém eu gosto de filmes de ação dos anos 80 e acho que a humanidade se tornou um tanto melhor quando o Stallone Cobra diz pro bandido “você é um cocô”. Sério mesmo, foi abusivamente foda;
O problema não é esse. O problema é quando TODO MUNDO quer ser o Stallone Cobra. Quando todo personagem tem que ser fodão e cool é que começa a dar no saco. Usando um salto agulha.Como eu já havia dito antes, videogames tem uma liberdade maior narrativa porque o publico-alvo simplesmente não se importa com nada que não seja um modo multiplayer para pwnar muitos noobs – o que resulta que essa liberdade criativa vai pro lixo (sendo o melhor exemplo Bioshock, uma idéia excelente afundada em vicios de linguagem de um jogo de tiro comum até dizer  chega). Como os aborrescentes de hoje tem lá pela casa dos 30 anos e renda propria, tem dinheiro o suficiente para sustentar essa industria até que alguma coisa aconteça. Não que necessáriamente tenha que acontecer, pode continuar assim pra sempre, sei lá.
- Eu vou explodir esse mercado!
- Vai em frente, eu não compro aqui mesmo…

E isso  é legal pra eles, mesmo, bom pra voces rapazes, mas eu estou bastante cansado de cenarios monocromáticos em que voce atira em coisas que parecem que um gremilim estuprou uma torta de fubá num campo radioativo.

Felizmente, a boa coisa, é que tem gente que pensa como eu: que “ok, é legal ter as fantasias aborrescentes atendidas mas podemos falar de outra coisa agora?”. Essa é a noticia boa. A noticia ruim é que a maior parte destas pessoas são japonesas. E não me venha com mimimi de diferenças culturais, japoneses são um bando de esquisitos que gostam de coisas estranhas mas o pior mesmo: com vicios de linguagem narrativas absolutamente insuportaveis.
Sério, se eu ver mais herói andrógino tirando poder do olho do cú por causa de um discurso sobre o poder da amizade alguém será defenestrado metódicamente. E isso torna com que a maior parte das coisas que se faz no Japão sejam inconsumiveis do lado de cá do meridiano da Bruxa Verde.

O que tem de errado com o Japão dá uma série de posts por si só…

Existem exceções, em que a qualidade da coisa é tão bacana que dá engolir as “japonezices” como a série Metal Gear ou o anime Highschool of the Dead. Mas são exceções e via de regra não dá pra contar com os amarelos.

Não que dê pra contar muito mais com os ocidentais, já que se do lado de lá eles tem essa coisa com tentaculos, colegiais e poder da amizade, do lado de cá temos uma obsessão similar com militares, caras bombados e toda sorte de fantasia aborrescente. E aí eu te pergunto, estamos tão melhor assim? Não, acho até que dá pra ter mais esperança nos japas porque eles ao menos não estão tão engessados em atender o seu publico e tem uma certa liberdade criativa de tempos em tempos. Demon’s Soul, Catherine e El Shaddai mostram que quando não estão tentando ser tão amarelos os japas entendem onde estão errando e tentam acertar. Eles realmente estão tentando acertar e não só manter o status quo atual e isso é algo que temos que admirar nos japas.
O artigo do Fabio Sooner me fez pensar sobre essas coisas, você deveria dar uma lida nele 

Recentemente Fumito Ueda (Shadow of Colossus, ICO) agradeceu os milhões que a Sony queria enfiar em seu rabo asiatico mas pediu pra sair para fundar seu proprio estudio e ter liberdade para tocar seus proprios projetos. Shigeru Miyamoto (se voce não sabe quem é vai a merda porra) agradeceu o cargo de deus absoluto administrador da Nintendo, mas o que ele quer mesmo é voltar para o estudio e colocar a mão na massa apenas para fazer joguinz.

Você consegue, por exemplo, imaginar agora Jeff Bridges rejeitando seu oitavo trilhão de dolares para abrir mão de fazer God of War IV? Nem eu.

Jeff Bridges, criador do Bom da Guerra
Mas voltando ao meu assunto, como eu disse embora volta e meia um japa pense como eu na verdade isso acaba não ajudando muito. Seria bacana se alguem que não tivesse os vicios dos amarelos achasse que não precisamos do 19o senhor testosterona lançado no mesmo mes.Pois é, seria legal.
E aí que entra a Naughty Dog. Em primeiro lugar eu quero deixar bem claro que Naughty é uma palavra nojenta e eu vou chamar de Nauti Dogui. Foda-se. Em segundo lugar, eu nunca dei muita bola pra Nauti Dogui porque é um estudio cujo unico jogo que eu me lembrava era Crash Bandicoot – e que se você não lembra, era suposto de ser o novo mascote do Playstation quando este foi lançado em 1995. Sim, houve uma época em que era importante os videogames terem mascotes, mas isso é tão antigo que foi antes mesmo da época em que as pessoas usavam apelidos na internet

Eu já tive nick na internet… oh god, why?

Sinceramente eu nunca achei os jogos deles lá grandes coisas e deixa quieto. Foi aí que entra uma caracteristica que o PS3 realmente owna o XBOX 360: a sua midia. O PS3 lê jogos em Raio-azul (capacidade de 60gb e um pião da casa propria) enquanto o 360 usa DVD9 (capacidade de 9 GB chorado chorado). O que significa que os jogos de PS3 não tem o que fazer com tanto espaço e isso implica em bastante material bonus – como em qualquer DVDDESCARTOGRAFADO tem o tipico material bonus: making of, arte conceituais, etc. E assistindo ao making of (eu realmente acho bacana ver como se faz um jogo) uma frase me chamou atenção: o cara explicando de onde surgiu a idéia de fazer o  jogo lá nos idos anos de 2007.
Basicamente se eles fizessem um jogo cinzento de atirar em monstros eles cairiam na vala comum de todos os outros jogos e eles teriam a bunda comida com farofa fria. Seria só mais um a morder poeira. Então se era pra levar uma comida de bunda felomenal, porque não chutar o balde e tentar algo diferente? Algo… que deus me perdoe… colorido?
Gamers de hoje em dia nem sabiam que um jogo pode ter tantas cores diferentes ao mesmo tempo
Depois de resolver problemas tecnicos (como não fazer o PS3 não fundir ao usar toda a sua paleta de cores, coisa que é muito pouco explorada hoje em dia), eles sentaram na mesa e decidiram o seguinte: cara, todo mundo esta fazendo jogos como se fossem filmes dos anos 80. Muita macheza, muita violencia e blablabla. Ok, e se a gente fizesse isso mas com OUTRO tipo de filme dos anos 80? Sabe, aqueles filmes bacanas de sessão da tarde, saca? Aqueles simplizinhos que ainda hoje são gostosos de assistir?Com efeito, DESCARTOGRAFADO espalho na mesa tudo que foi referencia sobre o assunto “aventura nos anos 80″: Indiana Jones, as Minas do Rei Salomão, Aventureiros do Bairro Proibido, os Goonies e por aí vai. Foi uma maratona de 176 horas de Sessão da tarde até sair o conceito de DESCARTOGRAFADO.Ok, talvez não seja assim que tenha acontecido mas a sensação que passa é de que foi justamente isso.
Uncharted é um jogo de aventura de “caça ao tesouro” que seria perfeito para um filme de Sessão da Tarde. Com personagens de sessão da tarde inclusive!
DAFUQ IS THAT?
Nate Drake é um … bom, não sei o que ele é, mas sei que ele acredita ser descendente do pirata explorador Francis Drake (Francis Drake realmente existiu e era um pirata que ataca navios espanhois que retornavam do novo mundo com ouro, mas nunca se ouviu falar de descendentes) e tem as coordenadas de onde o caixão dele estaria no fundo do mar do Caribe. Acontece que ele realmente encontra o caixão de seu antepassado, mas não havia esqueleto dentro dele e sim um diario que leva a caça ao tesouro! Qual tesouro? Ora, nada menos que o lendário “El Dorado”.
Quer coisa mais sessão da tarde que isso?

Para financiar sua expedição (não é exatamente barato alugar um barco para procurar  coordenadas no meio do atlantico e retirar coisas do fundo do mar, sabe?) ele vendeu a história a reporter Ellen Fisher, que tem um programa sobre os mistérios do mundo antigo.

No meu tempo, miúdo…
Soma-se aos dois o velho (literalmente) companheiro de aventuras de Drake, o velhão estiloso e canastrão Victor  Sullyvan. O Sully é o tipico heroi de filme dos anos 60: canastrão, estiloso, cafageste mas confiavel. Certamente eu escolheia Sean Connery para interpreta-lo ou o Clark Gable, e por aí tu ve o nivel de qualidade do cidadão.Juntos os três passam altas aventuras com todos os grandes elementos dos filmes de aventura: lugares exóticos, traições, bandidos, mistérios antigos, reviravoltas, nazistasm e EXPLOSÕES!E enquanto Sully é o estereotipo do heroi classico estiloso dos anos 60, seria fácil colocar Drake como mais um macho alfa fodão que come balas calibre 12 no café da manhã para dar gosto ao sucrilhos. Mas não, a grande chamada do personagem é que Drake é um cara comum metido numa situação extraordinária! (palavras do making of, que são a mais pura verdade).
Drake não diz uma frase de efeito estilosa depois de uma façanha incrivel, ele diz “PQPnãoacredito que isso funcionou!”. Veja, você não pode esperar conseguir um dos tesouros lendários mais famosos do mundo sem ter que trocar alguns tiros e socos com alguém, ok, isso faz parte da aventura e atirar em piratas mambembes é um risco aceitavel. Porem quando a coisa fica séria mesmo e os caras começam a atirar de volta em você com metralhadora MP4 e mira laser ele diz “ow ow ow, perae, acabou a brincadeira! Fuck that, to indo embora! Achar um tesouro é legal mas tomar tiro não, to indo nessa” como qualquer pessoa NORMAL faria.
Claro que um heroi tipico de videogame levaria um tiro de calibre 12 e diria “é um apena que vocês não tenham nada mais forte, ha-ha-ha”. Isso é o padrão.Agora o que eu, você e o Drake fariamos é tentar NÃO TOMAR UM TIRO EM PRIMEIRO LUGAR! TIROS DOEM. ARMAS NÃO MATAM PESSOAS, AS BALAS QUE ELAS DISPARAM É QUE MATAM AS PESSOAS.
ouch! That hurts just to look at.
Tomar um tiro deve doer mais que isso
“Qual a sensação de morrer? Dói pacas”
E essa é uma mudança de ares muito bem vinda e que combina bastante com o clima de aventura e não exibição de testosterona.
Firmão, véi?
Se você está prestando atenção até aqui, deve ter percebido que eu citei que há uma mocinha no trio de heróis e você deve pensar “já sei, deixa eu adivinhar: o par romantico do heroi, é uma bocaberta gostosinha que não serve para nada em cena senão ter peitos como 95,97% das personagens femininas” e normalmente seria verdade, mas não aqui.
Talvez temendo uma comparação com Tomb Raider, talvez por puro bom senso (ouvi dizer que isso existe ainda) em primeiro lugar a Elena é uma mulher fisicamente comum. Sério, ela não é gostosona, não tem peitões (eu realmente não lembro a ultima vez que lembro de uma personagem feminina com peito pequeno em videogame, sério mesmo UPDATE: fiz um esforço mental e lembro da Rikku do FFX, de 2001… mas fora isso só criança pra não ter peitão e olhe lá), não usa um shortzinho ubber-sexy, nada. É uma garota comum que usa calça de caçar-marreco, uma camiseta, chinelinho e deu pros coco. Ela é bonita como seria uma pessoa bonita que você vê na rua, não uma atriz mega gostosona ubber-sexy. E ver uma personagem assim em um jogo nos dias de hoje foi outra grande surpresa.
A segunda surpresa é que a Elena não está “cumprindo função” de ser par romantico de ninguem. Ela é uma garota inteligente, esperta e que sabe se virar, mas o mais importante: ela conquista o direito de ser respeitada pelo Drake e pelo Sullyvan como parte do time. E isso é algo realmente raro de se ver hoje em dia no entretenimento quanto na vida real: uma mulher conquistando algo por mérito próprio. Não porque ela é mulher mas sim porque ela fucking mereceu esse respeito por ser uma miúda muito gira e fixe (desculpem, joguei com legendas em portugues de portugal e peguei algumas expressões hehe). Sério, a Elena é cool e eu respeito ela – e isso é algo que você não vai me ver dizendo a respeito de muitas mulheres (ou mesmo pessoas), sejam reais ou virtuais. Nada de “ela é uma mulher, ajoelhem-se perante a esta forma de vida superior que merece tratamento diferenciado”, ela conquista o direito de fazer parte do time dos meninos e isso não é pouca merda.
Em ingles existe uma expressão pra esse tipo de aparencia, é a “girl next door”, ou seja, ela poderia ser sua vizinha. Claro que para isso voce teria que ser um personagem de videogame ou ela ser real, mas a idéia vc entendeu
Bem, colocando assim temos que Uncharted seria um filme muito gostoso de assistir com bons personagens e tudo mais que você precisa num sabado de tarde, alem de pipoca e um coçador de costas. Mas Uncharted não é um filme e sim um jogo, e mecanicamente como é o jogo?
Afinal uma boa idéia não vale nada se estiver num jogo inexecutavel (sim Kane & Lynch, estou olhando pra você)

O primeiro cuidado que a Nauti Dogui teve foi de evitar comparações (inevitaveis) com Tomb Raider. Mas não só no conceito (a Lara é um personagem dos dias de hoje criado afrente do seu tempo: gostosona, fodona, auto-suficiente, com frases de efeito, não é atoa que é interpretada pela Angelina “só sei fazer cara de gostosa fodona” Jolie), mas visualmente o jogo não parece com Tomb Raider. Em primeiro lugar porque é tropicalmente colorido (e não os monocromaticos taciturnos da saga da Larinha). Sério, é um jogo putamente BONITO com o melhor que o espirito de “lugares exóticos tropicais antigos” pode evocar. Mesmo já tendo 4 anos é um dos jogos mais vistosos do PS3
Em segundo lugar porque não é um jogo de exploração (Tomb Raider é aquele jogo que você para, senta e diz “eu ACHO que é por ali.. agora como diabos eu vou subir nessa porra?”) e sim um mezzo aventura com tiro. Ou seja, tem partes de aventura, tem partes de tiro.

As partes de aventura são cinematograficas e fluidas, raramente você para para pensar, e mais raramente ainda fica preso, e mais raramente ainda usa tantos paras numa frase quanto parar para pensar no parapeito do para.
Ajudada pelos controles que são muito leves e simplificados – mesmo uma pessoa que nunca jogou videogamne conseguiria se virar na parte de exploração, embora penaria muito pela falta de pratica na parte de tiro.
Na verdade se tem uma falha no jogo é que você percebe que o peso do Drake não faz sentido e o bonequinho no jogo é mais leve do que seria esperado de uma pessoa. Mas como isso torna o jogo mais fluido pra voce escalar, saltar e fazer requebradinha, ok.

As partes de tiro são menos… inspiradas, diga-se assim. Ou seja, se esconder atrás de coberturas, as pessoas atiram em voce, voce atira de volta, o feijão com arroz basico dos jogos modernos. Como pontos positivos os inimigos são macilentos (ou seja, é gostoso atirar neles assim como é em Left 4 Dead, por exemplo) e o headshot não é um bicho de sete cabeças – tanto que um dos primeiros troféus que eu ganhei foi o de 100 headshots.

Outra coisa estranha do tiroteio é que o jogo não diferencia onde pega o tiro no oponente, desde que pegue. Então basicamente se o caboclo morre com 4 balaços, tanto faz serem no peito ou no dedão do pé, ele morre após o quarto tiro do mesmo jeito. Quer algo mais escrito É SÓ UM VIDEOGAME do que isso?

Quanto as armas, sim, existem variedades de armas (que na pratica significa quantos tiros leva para matar um inimigo) e dois tipos de inimigos: os que ficam parados atirando de trás das coberturas e os que vem pra  cima de você. Essa é distinção é bastante clara porque a inteligencia artificial do jogo é bastante baixa, e você pode entrar numa cena, ficar parado atrás da porta, matar todos que vem pra  cima e ir no banheiro porque os que ficam parados cumprem a sua programação de ficar parados. Eu diria que a baixa IA é um dos pontos fracos do jogo e que você sente mais na carne que “ah, é só um jogo”.

Eu não joguei o 2 e o 3 ainda, mas dizem que a maior mudança é que toda mecanica do jogo foi bastante polida e ficou mais redondinho, porque na parte de combate principalmente  você percebe o quanto o jogo tem de quinas mal aparadas. Nada que comprometa, mas fica um gostinho que podia ter sido mais polido…

Eu diria que o jogo é 60% tiro e 40% aventura, mas como as partes de tiro demoram mais (atirar, cobertura, repete) parece que é maior do que realmente é.

Outro ponto que merece destaque é parte sonora, Começando pela a dublagem, justamente porque o jogo não foi dublado: os atores fizeram as falas enquanto encenavam as cenas na captura de movimentos. Ou seja, pegaram uns 3 ou 4 atores de verdade (atores de teatro ou televisão, ninguem realmente famoso), colocaram os trajes azuis de captura de movimento neles e improvisaram um palquinho para eles atuarem – e isso ficou muito legal, infinitamente melhor do que personagens criados 100% em computador. Ficou muito natural e é uma das partes legais do jogo.

A outra coisa da parte sonora que ficou fixe é a musica. Como o jogo se passa 100% em ambientes tropicias os caras não fizeram o cliche de colocar uma orquestra tocando musica classica (porque segundo o manual do jogo fodão, esse é o padrão). Chamaram um musico e disseram: o espirito que a gente quer é esse, nos surpreenda.
Como resultado a trilha sonora é adequada ao cenário, com muitos instrumentos tribais (e justamente tensa por causa disso, voce espera que aborigenes te ataquem a qualqer momento em certas partes por causa da musica… embora eles estariam cansados demais depois da viagem desde a OCEANIA para te atacar). Não só a parte de musicas, que pra voce ter uma idéia o som do jogo é taõ bem cuidado que eu descobri uma passagem secreta só por causa do som dos passos (era uma parte de madeira escondida no meio do mato, e eu descobri pelo toc-toc-toc caracteristico da madeira).
Não por acaso, a parte sonora é feita pela Skywalker, e se tem algo bom nas sagas de Star Wars é o som (nem sempre o que é dito, mas o som é sim)

Com personagens bacanas, dialogos naturais e legais (não ao nivel Enslaved de personagens “humanos”), uma história simples (como todo bom filme de aventura da sessão da tarde) e parte de ação divertida (não genial, mas divertivel), Descartografado é um sopro de vida colorido numa industria cinzenta e chata. Poderia ter um polimento melhor, mas não é nada que comprometa o jogo e dizem que foi feito nas sequencias.
Um dos exclusivos que conta muitos pontos a favor do PS3, esse tanto é verdade. E em breve teremos no cinema, não perda!

Ah sim, e se tudo mais falhar… ao menos aprendi minhas palavras em indonesio. Nunca se sabe quando a frase “ABRE ESSA PORTA DEPRESSA” pode ser útil dada a fama da culinaria local… cepatan buka pintu!

PRODUTORA: Valve
DISTRIBUIDORA: Valve (PC, 360 e PS3)
JOGADORES: 1 até 2 coop (offline ou online)
ANO: 2011

Hoje eu não vou ofender ninguém (o que não é verdade, porque eu nunca ofendo ninguém, apenas descrevo as pessoas) e sim falar sobre games. Tá, ok, eventualmente alguém será ofendido, tudo bem, mas… hey hey hey, espera aí, volta aqui rapá! Isso, senta ae. Ótimo.

Não, eu não vou falar sobre um jogo, vou falar sobre essa maravilhosa industria de sonhos e calos nos dedos… não, não a industria da pornografia, to falando de como funciona o maravilhoso mundo dos videogames.

U lost mistarr Belick, u lost

A primeira coisa que você tem que saber é que a industria dos jogos é muito parecida com a dos filmes: existem os blockbusters, os tapa-buraco e os jogos independentes (assim como nos filmes). Os blockbusters nos games são literalmente uma industria milhonária: fazer um jogo AAA hoje em dia é mais caro, leva mais tempo e mais dinheiro do que fazer um filme. Bem, e o que é um jogo AAA? Não, não é aqueles que tem uma reviravolta no final e você diz “Aaaaaaah”, não. Jogos AAA são como são chamados os blockbusters dos games

Game desing 101

Existem 5 ou 6 grandes portais na internet no ocidente e mais uns 3 ou 4 no Japão que avaliam os jogos e dão notas para eles. Assim como acontece com os filmes, a tal da critica. O grande lance da coisa é que esses 5 ou 6 grandes portais tem confiança absoluta do seu publico e o que eles disserem sobre o jogo será verdade. Me acompanhando até aqui? Beleza, continuemos.

O que realmente importa o que um site de internet e algumas revistas falam sobre os jogos? Bem, muito na verdade. Porque sim, também existem sites e revistas que podem decretar a vida e a morte de um filme mas com jogos é bem mais complicado por alguns motivos

A) Jogos são caros. Não, não é mimimi de brasileiro, jogos são caros mesmo na gringolandia onde um lançamento sai por 60 obamas em média. Mesmo que você receba em dolar, 60 obamas não é pouca monta afinal. Em comparação, um ingresso de cinema varia entre 10 e 30 dolares.

B) O publico-alvo é infantil. Alias pior que infantil, são adolescentes. Ok, sejamos honestos, jogos são feitos para adolescentes. Mimimi. Buabuabua, a gente gosta de maracuja, LIDE COM ISSO. Ou então me diga se você consegue imaginar um adulto funcional e socialmente saudavel jogando videogame. Consegue?
Eu certamente consigo imaginar o Nelson Mandela lendo um livro ou mesmo assistindo um filme, mas jogando uma partidinha de Battlefield e ownando os noobs geral? Ou o Roberto Justus? Ou o Ayrton Senna? Ou o tio do churros? Pois é, videogames são feitos para adolescentes.

Assim siga o teorema de pitagoras (como nosso ensino fundamental é maravilhoso, eu decorei o teorema de pitagoras mas nunca soube o que diabos era um teorema) some A² + B² para ter C². E o que é C²?
Bem imagine que você quer consumir um produto caro (você não pode sair comprando jogos a moda loka, tem que pesquisar antes porque é um investimento consideravel) e tem a mentalidade de um aborrescente, ou seja, é manipulavel como uma ovelha reumática.

Some os dois e então temos que a “imprensa de games” então deita e rola já que eles tem poder absoluto sobre os destinos dos jogos – se um jogo vai vender bem ou mal depende apenas do seu estalar de dedos.

Bom, grandes merda, são só jogos, grandes porcaria tu ter “poder” sobre um joguinho, né?

Outro jornalista de games, pff…

É, eu concordaria mas aí entra um fator muito importante no processo: dinheiro. Lembra quando eu disso que jogos AAA são mais caros de se produzir que blockbusters de cinema? Pois é, se você tem poder de veto sobre essas montanhas de dinheiro isso significa claramente que você tem poder de levar o seu.

As produtoras de jogos então tratam os grandes portais a pão-de-ló e massagem nos dedões mindinhos com luvas de pelica, pois evocar a ira dos juízes do mundo dos games significa muito, muito, mas MUITO dinheiro perdido.
Estamos falando de dinheiro PRA CARA DO ALHO aqui, não é atoa que quem brinca nesse jogo atualmente é gente do cacife como a Sony e a Microsoft (e a Nintendo que conseguiu sobreviver graças a uma campanha de marketing muito genial para o seu Wii, o que somada a muita fan-base e nostalgia por parte de quem cresceu jogando as aventuras do encanador italiano bigodudo lhe deu uma curta sobrevida que está perto de terminar).

O que a isso tudo leva, eu te pergunto?
Sabe o que? Estagnação.
Tudo parado, tudo estacionadinho no mundo dos games.

O publico alvo, os jogadores, não tem capacidade mental de pedir por mudanças. São malditos adolescentes (ou adultos obesos que moram no porão da casa dos pais), eles vão fazer o que as figuras de autoridade que eles respeitam (os portais) mandarem eles fazerem.
Os portais, por sua vez, tem pesadelos com mudanças. As coisas do jeito que estão são ótimas para eles. Ter poder absoluto em suas mãos, trabalho não maior do que eu tenho para manter esse blog e uma grana boa entrando a ESFORÇO ZERO é tudo que eles poderiam sonhar em seus sonhos mais molhados incluindo a Anne Hatthaway numa piscina de gel..

Pic aleatório da Anne Hathaway porque esse é meu blog

 
As produtoras também não tem muito interesses em mudanças, já que eles estão numa zona de conforto. É chato, claro, ter que pagar taxa de proteção a milicia local (no caso a “imprensa”) para ter boas notas e vender seus produtos (sério, a grande maioria dos jogadores nem cogita comprar um jogo se ele não tiver pelo menos um 9 em sua avaliação média – chamada de metacritic). É chato, mas é garantido e eles ganham muito dinheiro nessa brincadeira. Muito dinheiro mesmo.

Então assim sendo ninguém quer mudanças (seja por comodismo ou falta de capacidade mental), e o que temos é o tal do quadro de estagnação. E daí vem a grande imagem atual dos jogos de hoje em dia: você coloca uma arma na mão de um personagem fodão para atirar em coisas que tentam atirar de volta e ta-da, eis a descrição de 90% dos jogos atualmente. Apenas mude os alvos (alvos de papelão, zumbis, nazistas, pessoas gordas… todas essas coisas que não são seres humanos e podem ser mortas sem questões morais) e de vez em quando o cenário e ta-da.
Você pode adicionar cobertura de abacaxi ou de morango, isso não muda o fato que o sorvete ainda é o mesmo de chocolate (exceto talvez pelo fato de que se pedir cobertura de morango você está assinando um atestado de que é uma menininha).

De tempos em tempos uma nova ideia surge, implantando uma nova mecanica de jogo – não realmente nova, mas aprimorando em pequenos detalhes as velhas bases do que o stagnado status quo da industria dos jogos. Você poderia pensar que nisso os independentes poderiam ajudar, já que eles naõ tem milhões a perder não tem o rabo preso, certo? Bem, infelizmente acontece igualzinho no cinema também: salvas raras exceções os independentes são uns babacas. Mesmo. Daqueles que é seu dever como cidadão socar os ovos.

Como lidar com produtores independentes

O que acontece é que muito de vez em quando mesmo uma boa ideia chega a praia do AAA nas mãos de gente acima da média. Se no cinema temos gente como o Christopher Nolan, que sabe contar excelentes histórias mesmo em um blockbuster, e John Willians, que pode criar vida para um filme apenas com sua trilha sonora, nos games também temos gente como Hideo Kojima – o homem, a lenda, o mito por detrás da série Metal Gear, e Nobuo Uematsu que é tão foda, mas tão foda que só com a sua trilha sonora consegue deixar emocionante uma cena com esse personagem mais mal vestido que mendigo bebado em comissão de frente da Império-da-Ilha.

Em poucas ocasiões acontece de o cara certo ter o orçamento certo e a liberdade certa para fazer algo inesquecivel – seja contando como um tanque bipede nuclear mudou a politica do mundo que vivemos, seja contando como assassinos e templarios duelam pelo destino da humanidade desde os tempos da arvore do Eden (literalmente).

Eu vi o que você tentou fazer aí

E certamente uma dessas vezes NÃO FOI Half-Life. Meia-vida é um jogo feito sob medida para atender todos os envolvidos (os portais malandrões, os gamers babacas e as empresas preguiçosas) sem nada de realmente especial ou digno de nota. Você anda por aí, atira em coisas e blablabla. Óbviamente os gamers adoraram, os estudios faturaram milhões e a imprensa teve muito pão de queijo na bandeja para garantir boas notas.

E como não poderia deixar de ser, Meia-Vida teve uma continuação. Com MUITO MAIS personagens fodões, MUITO MAIS tiros, MUITO MAIS gráficos realistas, MUITO MAIS letras maisculas nos adjetivos e yala-yala-yala. Half-Life 2 vende tipo uns 4 quadrilhões de unidades e todo mundo saiu feliz e contente. Enfim, nada disso é interessante de facto.

O que é interessante na verdade é que Half-Life tinha uma engine muito boa. Ou seja, como a realidade 3D do jogo representava a fisica era muito boa (sobretudo para a época) do tipo que a consistencia, tipo do material e peso dos objetos eram representados com uma fidelidade realistas o suficiente para, pelo menos na época, você até esquecesse que era um “joguim”. Não que isso fizesse real diferença no jogo, mas acabou sendo um grato efeito colateral que seria muito relevante dali pra frente. Uma modificação muito famosa aqui no Brasil dessa engine do Half-Life é conhecida como Counter Strike, e certamente você já ouviu falar disso se já passou a 157,18 metros de uma lan house.

O que acontece é que um bando de gaiatos da Valve (a empresa que fez o insosso Half-Life) um dia, entediada de sua vida fácil e segura teve uma noite louca de Tequila, Tacos e DVD. E sério, quando você mistura Tacos, tequila e “O Cubo” é porque as coisas vão ficar loucas. E ficaram.

Bem vindo ao centro de enriquecemento da Aperture Science força motriz da nova sociedade. Caso você seja velho, doente ou burro demais para ser a força motriz da nova sociedade, por favor retorne com alguém que possa se-lo

Essa equipe de bravos guerreiros comedores de vermes da Valve estava tão entediada pela falta de oportunidade de ter algum desafio que nas horas vagas usou a engine do Half-Life para dar vida a um antigo projeto de faculdade, um joguinho chamado “narbacular drop” que envolvia usar portais para transportar objetos e resolver puzzles nas salas. Essa foi a raíz do que posteriormente viria a ser conhecido como… PORTAL.

PORTAL era um projeto independente nas entranhas de uma engine AAA e sustentado por mentes ansiosas por pensar fora da caixa (que é uma oportunidade que você não tem muito quando trabalha com videogames). Mais precisamente… eles agora estavam pensando com portais


THINKING WITH PORTALS

Mas o que é Portal, afinal?
É um jogo em visão de primeira pessoa em que você acorda numa sala branca e uma Inteligencia Artificial te dá uma arma que abre portais (você pode colocar dois portais, sendo que ao entrar por um sai pelo outro lado) e com isso deveria resolver os testes de cada sala. Falha implica em morte em chamas (ou coisas piores). Ou seja, é bastante o espirito da série “O Cubo”.

Eventualmente você descobre que é uma cobaia nos laboratorios subterraneos da Aperture Science, onde a AI simplesmente matou toda a equipe (eles atrasavam o progresso da ciencia com essa coisa de ética e moralidade, esses humanos…) deixando apenas as cobaias para fazer os testes… como você.

Só isso, você tem que resolver os puzzles de cada sala por sua vida utilizando apenas sua arma de portais.
Nada de atirar em aliens, nazistas ou gordões. Apenas você, seu QI contra a AI maligna do mal falando com você e sua arminha de portais em nome da sobrevivencia… ou da ciencia.

Por si só a ideia já era boa, mas um pequeno deslize para lá ou para cá poderia deixa-lo sendo só isso: uma boa ideia. Mas portal não é só uma boa ideia, foi uma boa ideia magistralmente executada porque tem uma coisa que você simplesmente não encontra em videogames (verdade seja dita, não encontra em midia nenhuma hoje em dia): humor. Não um humor sem graça japones ou algo do tipo, mas um humor negro surrealista. Todas as coisas que são engraçadas no jogo tem um motivo de estarem ali, seja as torretas com voz de criança (eu disse que você não atirava em ninguém, naõ que ninguém atirava de volta em você) ou seja a promessa de que haveria bolo ao cumprir o teste,

Em determinado momento, a AI (chamada de gLAdOS) te avisa que a camara de teste pela qual você passaria seria altamente mortifera e certamente você teria uma morte horrenda e dolorsa… mas na EVENTUALIDADE disto não acontecer, bolo serie servido como recompensa! UAL! Bolo!

The Cake is a lie!

A grande piada aqui é que a coisa é uma sátira (bem fundamentada) as teorias do behavirismo, das experiencias de Pavlov e todas as coisas incriveis sobre comportamento que se fazem “em nome da ciencia”. Após quebrar a cabeça para abrir caminho nas camaras de teste usando sua arma de portais, após poucas horas o jogo termina.

Esse é o tipo de humor de Portal, lembra muito o RPG Paranóia (o computador é seu amigo!).

Em determinada fase “a voz” lhe dá uma caixa e diz que seu objetivo é atravessar o andar sem perde-la. Durante o caminho ela te avisa “Solicitamos ao usuario que não se afeiçoe ao Cubo Companheiro e lembramos que o Cubo Companheiro é só uma caixa de metal e não portanto não possui a capacidade de falar. Mas no advento dele falar, pedimos que não acredite em nada do que ele disser”

O jogo dura no máximo 3 ou 4 horas (a menos do caso de você ter paralisia cerebral ou uma lazarentice dessas), afinal era um projeto paralelo ao grandioso “Half-Life”, mas são mais do que suficientes para que gLAdOS, os portais, o cubo companheiro e o bolo se tornarem referencias iconicas na cultura nerd. A música de encerramento, Still Alive, é uma obra prima de qualidade ímpar que marcou nossas vidas e corações. Pra mim particularmente tem motivos pessoais pelos quais esse jogo é particularmente importante, e se eu sobreviver ao Atletiba deste fim de semana certamente é a música que eu vou querer para o dia que eu for me casar.

Portal é um jogo bem tranquilo e que nada “te ataca”, ou seja , você tem todo o tempo do mundo para resolver os puzzles e é um dos poucos que eu recomendo para quem não é gamer. É só voce e sua cuca contra o mundo

Com efeito, Portal de uma brincadeira de fim de semana acabou se tornando não só um icone nerd, mas superando em popularidade inclusive o próprio Half-Life.

Ou seja, era inevitavel que uma continuação viria por aí. Portal era uma brincadeira curta que se encerrava em si mesma, prolongar mais do mesmo seria inevitavelmente um caça-niqueis barato afinal de contas, certo?

TEENAGE RAGE: Continuações são gold diggers baratas sem coração

Bem, fosse como fosse, Portal 2 veio com muita expectativa de todos que haviam aprendido a duras penas que o bolo era uma mentira (mas o cubo era para sempre). Como eu disse, no meu caso em particular Portal tinha um valor emocional bastante grande por causa da fase da minha vida que eu conheci o jogo e como aquelas poucas horas e as risadas que ele me proporcional me ajudaram tanto quando eu mais precisei. Uma continuação seria, sei lá, ofensivo como plantar mandioca sobre o tumulo dos seus pais.

Mas as aguas retrocederam… digo, Portal 2 veio e … holyfuckofdancinghell, foi como se nunca tivessemos ido embora! O retorno as instalações da Aperture Science, agora em ruínas, não poderia ser mais bem executado. O jogo respeita as memórias do primeiro como que dizendo “olha, nós não vamos tentar esticar o primeiro ou macular sua imagem de qualquer forma… apenas vamos contar uma nova história sobre AI malignas, morte em chamas e bolo, ok?”

Muitos anos se passaram e a Aperture Science está em ruínas, sua missão teoricamente é simples, é só dar o fora do complexo subterraneo (sem uma AI maligna controlando tudo fica mais fácil)… quando as coisas ficam loucas.

De fato o grande pulo do gato é que o jogo sim, tem novos testes nas salas da Aperture Science, mas a maior parte do jogo (que agora dura quase o dobro do tempo, de 6 a 8 horas) é uma viagem (literalmente) pela história da Aperture Science e de seu lendário fundador Cave Johnson – que tinha uma empresa que vendia cortinas de chuveiro ao exército dos EUA que sofreu um envenenamento por mercurio e na sua loucura acabou ficando obsecado pela ciencia. O jogo te leva literalmente as profundezas da Aperture Science, quando ela foi fundada nos anos 50 (e toda a tecnologia da época), assim como quem é a gLAdOS e por incrivel que pareça, como as coisas surreais da Aperture Science fazem sentido dentro do seu contexto!

O jogo poderia jogar fácil em cima de explorar os clichês, mas não tem uma única referencia a bolo neste jogo!
Ao invés de jogar fácil, eles continuam com as referencias as tecnicas de controle de comportamento e a ciencia. Na verdade o jogo satiriza a falta de “padrões de segurança” da ciencia de antigamente e como nos tornamos politicamente éticos demais para fazer ciencia de verdade (ao ponto que sacrificar uma pessoa para salvar milhares é completamente inadmissivel nos dias de hoje)
Adicione a isso ao fato que a gLAdOS está particularmente puta contigo (algo relacionado a você ter a desmantelado e atirado suas partes ao fogo) e demonstra isso com toda a sutileza do seu humor refinado.

OFENDENDO LIKE A BOSS

“Gostaria de parabeniza-la”, ela diz ao você concluir uma camara de teste, “não pela camara de teste, até mesmo uma criança teria feito isso. Gostaria de parabeniza-la porque a maioria dos sujeitos de teste sai da criogenia apresentando sinais de desnutrição e tu conseguiste de alguma forma até ganhar uns quilinhos”

Isso porque no programa de comportamento humano da gLAdOS ela tem que mulheres tem problemas emocionais relacionados ao seu peso, de modo que esta é apenas uma das inumeras cutucadas que ela tem para te chamar de GORDA! TAN-TAN-TANANAAAAAAAAAAAAAAN!

E sim, a música de encerramento é tão boa quanto Still Alive e certamente eu quero que toque I Want You Gone no meu velório. Porra, tive essa ideia agora e sinceramente, seria genial! Vou fazer constar no meu testamento, com certeza!

Mas bem, deixando de lado meus momentos de genialidade, tenho que dizer que nem tudo são flores no canteiro da Aperture Science. Mesmo que muito mato tenha crescido nas instações nestes ultimos anos, nem tudo são flores.

Portal 2 não é mais um projeto de fim de semana feito nas sobras de um outro jogo e sim um próprio titulo AAA.
E com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Ou seja, o jogo tinha que vender bem. Mas como vender bem para aborrecentes quando você não atira em nada ou esmaga botões descerebradamente durante o jogo?
Inumeros tentaram tal façanha, e inumeros falharam miseravelmente.

Felizmente a Valve conhece o seu publico tão bem quanto a gLAdOS conhece a psique humana, e sabia como atrair grande publico para este jogo sem cagar na essencia do que Portal é. Como se vende um puzzle como se fosse um blockbuster?

A resposta é simples: multiplayer. Aborrecentes compram qualquer coisa que você joga online para mostrar o quanto ser fodaaaaaaaaum no jogo torna seu pinto incomensuravelmente maior. Bem, não torna, mas como mulheres não jogam videogames não faz diferença de qualquer jeito. Mas é isso, independente do jogo que for é só botar uma opçãozinha multiplayer e ta-da, tá resolvida a questão.

MULTIPLAYER EVERYWHERE!

Mesmo que seja igual a todos os outros ou mesmo que não faça sentido nenhum, multiplayer é o omni-gel que a tudo cura. E Portal 2 tem um modo multiplayer, ao qual eu posso dizer que … ELE É O MELHOR JOGO PARA SE JOGAR DE DOIS … SOZINHO!

Pode parecer meio deprimente jogar o jogo de 2 sozinho, mas neste caso é realmente o melhor modo de aproveitar o jogo. Agora jogar Banco Imobiliario sozinho… que foi? Eu não era uma criança popular, ta bom?

Sério, vamos pensar um pouco. Qual a graça de um puzzle? É você sentar, entender a coisa e resolver o quebra-cabeça para se sentir foda, na cama te esculachar, esculachar o seu amante, esculachar o seu marido, ser fodaaaa.
É como comer lasanha de frutas. Você saboreia lentamente cada sabor, cada pequeno detalhe.
Jogando de dois é uma merda, porque o ritmo da outra pessoa nunca vai ser o seu e você perde o grande orgasmico mental de resolver o puzzle (alis o jogo brinca com isso também) se o outro resolver antes de você. Isseo se você não jogar online com alguém que já sabe como resolver as salas, o que não tem a menor graça mesmo. É ter que comer sem saborear a comida.

O que foi que eu fiz: coloquei no modo para dois com tela dividida, peguei dois controles e joguei sozinho os cinco cenários do modo co-op, que conta as desventuras dos robos de teste Atlas e Corpor-de-Ervilha. Embora não seja tão fluido quanto jogar sozinho, dá perfeitamente para jogar assim (Portal nunca foi um jogo se ação, sempre respeitando o timing do jogador) . Com exceção de dois momentos, que eu tive que recorrer a ajuda da minha linda assistente Churuptzen, de resto é perfeitamente jogavel jogar o modo multiplayer sozinho

Alias se a gLAdOS possui robos de teste porque ela usa humanos nas camaras de teste ao invés deles? Durante as fases do modo cooperativo é explicado isso tambem?

Enfim, Portal é um dos melhores jogos de todos os tempos e Portal 2 não é um caça-niqueis barato valendo muito a pena de cada minuto gasto fazendo a ciencia progredir. E se as minhas palavras não forem suficientes, então recorrerei as lendárias palavras de sabedoria e verdadeira lição de vida que Cave Johnson – fundador da Aperture Science – proferiu no fim de sua vida:

CAVE JOHNSON: Quando a vida te der limões… não faça uma limonada! Faça a vida engolir esses limões de volta! Fique puto! Eu não quero seus malditos limões! O que diabos eu deveria fazer com malditos limões?! Exija ver o gerente da vida! Faça a vida amaldiçoar o dia em que pensou que daria limões a Cave Johnson! Sabe quem eu sou? Eu sou o homem que vai queimar sua casa de cima a baixo! COM OS LIMÕES! Eu vou fazer meus engenheiros inventarem um combustivel de limão que vai queimar sua casa até as cinzas!!
GLaDOS: Yeah! YEAH! QUEIME A CASA DELA! Pessoas queimando! YEAH! Ele é o homem que põe pra fora o que todos pensamos!

O homem que fala o que todos pensamos, inspirador, vai dizer?


UPDATE: jogue por sua conta e risco, já que fontes seguras comprovam que Portal 2 incentiva o sexo anal e o roubo de cartões de crédito

Por algum motivo eu achava que Fighplan era um prequel para Clube da Luta…

ESTRELANDO: Jodie Foster para amigos imaginários, Boromir (num papel cagado que nem faz falta, não tenha grandes esperanças… e não, ele não anuncia que o inverno está vindo) e Peter Asgard (não faço ideia de quem seja, mas o nome é muito foda)
ANO: 2005

Ao contrário do que possa parecer, eu realmente não sou preconceituoso: eu desrespeito todos igualmente. A frase pode parecer clichê e coisa de adolescente revoltado, mas se tem um dialogo na história do cinema que pode descrever como eu vejo a vida é aquela do filme MiB (o que prova que eu tenho bom gosto pacaraí, rá!)


E se o Power Ranger verde falou tá falado!

Então é isso, uma pessoa pode ser dialogavel e inteligente mas um grupo de pessoas (quando se reúnem tanto fisica quanto em um ideal) é uma turba de animais assustaveis e raivosos que ao menor sinal de desrupção da normalidade querem sangue, suor e uma música nova do Zeca Pagodinho. Alias já te ocorreu perguntar porque o Zeca Pagodinho faz samba e o Gerasamba faz pagode? Bem, que seja, prosseguindo.

Assim sendo sempre que eu vejo pessoas se aglomerando em torno de um ideal é um sinal de que está na hora de procurar a porta mais próxima porque tem uma manada acefala a caminho. Por esse motivo eu nunca discuto com as pessoas, porque quando você questiona os ideais de uma pessoa ela instintivamente está se transportando para um grupo maior e passa a falar como uma entidade representativa daquele grupo. A verdade é só um fator menor e muitas vezes incoveniente.

Eu não discuto religião (tanto com crentes quanto com ateus, sendo que os segundos me causam vergonha alheia), eu larguei de mão me importar com política, espero que os eco-chatos sejam felizes, aprendi aceitar que ações afirmativas são uma triste mas inevitavel parte da vida e o mais importante, mesmo, eu não discuto nunca, sob hipotese nenhuma opiniões sérias com mulheres. Mesmo. Posso achar dois ou três homens entre cem aqui com quem se pode ter uma conversa razoável sobre política. Com as mulheres, você acha duas ou três entre mil.

Eu agora, via de regra, nunca digo nada de político (ou, para usar o temo moderno, “crítico”) na presença de mulheres e nunca expresso minhas reais opiniões. As mulheres tem fascínio por se “ser simpático” (que não é a mesma coisa que se “ser moral”, lembre-se) — mas ser simpático significa não dizer coisas “ruins” e não ser “ruim” é o que realmente importa.

Não, eu não sou um misógeno. Há um lugar para as mulheres na sociedade — e elas não devem ser oprimidas do modo que são no Oriente, especialmente entre os muçulmanos. Se os homens se tornam tiranos em relação a suas mulheres, eles produzem tiranos entre seus governantes. Não é por acaso que as sociedades muçulmanas são em geral tiranias e que os muçulmanos tendem a ser tiranos consigo mesmos, transformando aquele lugar numa bosta.

Dito isso, ao invés de me debater contra a realidade e tentar mudar o mundo de acordo com as minhas visões (aparentemente minhas opiniões não são as certas, fazer o que) porque eu sou um vagal niilista acomodado, eu me contento em observar a realidade e ver a ironia da coisa toda. Uma das coisas que me diverte ver por exemplo é como vivemos em uma ginecocracia e o quanto não se pode falar sobre isso. Ok, existem muitas coisas que se fazem mas não se podem falar, mas essa é particularmente interessante.

A este ponto e´bastante claro, e eu já falei mais de uma vez, que acredito no behaviorismo e mais especificamente que os seres humanos são animais. Profundamente desenvolvidos e complexos, mas animais como qualquer outro – o que não deixa de ser engraçado ver como ateus revoltadinhos gostam de choramingar que Deus não existe para ofender o papaie  a mamãe, mas não pensam nas reais implicações disso.

Assumindo isso, que somos animais com grife, fica fácil entender porque as mulheres são uma casta socialmente superior: porque elas são biologicamente superiores. Verdade, elas possuem força fisica inferior e uma capacidade intelectual inferior. Quer dizer eu não sou neurologista, mas desconfio que o fato que tenhamos que puxar muito pela memória para citar contribuições das mulheres para a ciencia tem algo haver com os 10% a menos que elas possuem de massa encefalica. Mas se elas são mais fracas e menos inteligentes, então porque elas são superiores?

Ora, muito simples: as mulheres são superiores porque elas possuem uma necessidade a menos. Mulheres não precisam de sexo. E veja, repare que existe uma diferença entre precisar e gostar – e em nenhuma instancia eu estou dizendo que elas não gostam disso, estou dizendo que elas não precisam.
Precisar as pessoas precisam de poucas coisas na vida: elas precisam dormir, elas precisam comer, elas precisam de abrigo contra frio, calor e umidade extremas, elas precisam cagar. Homens especificamente precisam de sexo – e uma necessidade a mais os torna biologicamente mais fracos. Se você considerar ainda que para realizar a operação você precisa de duas partes e só uma delas tem uma necessidade biológica por isso é fácil concluir que a parte que não necessita está em vantagem no negócio.

É uma equação simples: imagine que você tem duas plantas diferentes e apeans uma estufa. Para determinar quem terá o seu lugar ao sol você coloca as duas juntas e vê o que acontece.
A primeira planta, a churupilofila, precisa de terra, agua, ar, luz do sol e massagem no caule – do contrário ela para de funcionar como planta.
A segundo planta, a vendraminofila, precisa de terra, agua e ar. Só.
Agora me diga qual das duas tem maior vantagem em uma competição direta? Sim, a que precisa de menos coisas.
Sobrevivencia do mais apto. Não o mais forte ou o mais inteligente, mas o mais apto.

Vá lá, faça a experiencia. Tente vender uma casa ou um carro em duas situações: na primeira apenas venda, na segunda deixe claro ao comprador o quanto você está desesperado e o quanto necessita desta venda. Aí me diga em qual das duas você fez um melhor negócio. As relações sociais entre homens e mulheres se dão nessa escala.

Talvez você ainda esteja se batendo com a coisa de que mulheres não precisam de sexo (embora isso de forma alguma as impeça de gostar, ressaltando isso) mas então vamos jogar um jogo…

… eu vou fazer algumas citações e você imagina a primeira imagem que lhe vem a mente, certo? Valendo:
– Prostituição
– Estupro
– Pedofilia
– Pornografia
– Masturbação

Ok, agora me diga quem PROCURA e COMETE esse tipo de coisa? Claro, claro, você obviamente conhece um caso anedotico que outro de uma mulher que estuprou um cara (seja la como se faz isso…), mas a imagem geral é justamente o que eu estou dizendo. Ou com que frequencia você ouve que as mulheres pensam com o seu clitoris (a bem da verdade, eu nunca tinha ouvido isso e parece uma frase horrível) ou vivem em função de conseguir dar uma bimbada? Como eu disse novamente, se existir são casos especificos e isolados, o comportamento geral é que mulheres não fazem essas coisas porque elas não precisam. E ter uma necessidade  é uma fraqueza, uma vulnerabilidade. Não te-la é poder. E ter poder de veto sobre a necessidade do outro te torna infnitamente mais poderoso. Mulheres possuem a palavra final sobre o sexo (do qual elas não precisam, mas seria legal) e isso lhes dá uma grande vantagem evolutiva

Evolutivamente isso não só faz todo o sentido como é o que acontece na natureza. Os animais possuem os mais complexos e exóticos rituais de acasalamento justamente para convencer a femea a liberar a rampinha da loucura – e os seres humanos não são exceção a isso. Nossos rituais de acasalmento são meio… únicos…


Bem, talvez as vezes a gente exagere…

… mas no fim não é diferente do que a maioria dos animais faz: convencer a femea a liberar o badaró. Repare que tanto nos humanos quanto no urupua-do-peito-azul quem tem que ser convencida é a femea e quem tem que correr atrás é o macho, e isso dita a realidade de suas relações (o que “correr atrás” significa varia muito de espécie para espécie, desde ter a maior pilha de objetos brilhantes a pisar nos machos betas concorrentes).

Atualmente as mulheres possuem não só ciencia do seu poder mas nenhuma vergonha em admiti-lo. Mulheres são biologicamente superiores, estão socialmente por cima da carne seca e podem bater no peito (não muito forte porque dói) e dizer isso em alto e bom som. Ah, não acredita em mim? Ok, então talvez eu devesse te lembrar uma frase da nossa dignissima senhora presidenta (que mudou a palavra apenas como demonstração de poder) ao indicar uma ministra de estado:

“Queria cumprimentar a Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social. É importante que seja uma mulher ministra“

Agora vamos fazer um pequeno exercicio, imagine que a frase fosse invertida e um presidente (ou presidentO, como insisite a nossa terrorista em-chefa da nação) homem dissesse o seguinte:
“Queria cumprimentar o Jorjão Pé-de-Mesa, ministro do Desenvolvimento Social. É importante que seja um homem ministro“.

Isso seria socialmente aceitavel? Esse cara ainda teria alguma vida politica?
Ou então esse inocente e tranqilo comercial de televisão

Agora imagine esse comercial exatamente ao contrário, inverta totalmente os generos, algum destes publicitarios ainda conseguiria sair na rua sem ser soterrado pela avalanhce de processos que tomaria nas fuças? Pois é.
Ou eu deveria recorrer a musica popular e pensar nas letras?

Letra tipica de um sertanejo (universitario ou não), funk ou o diabo que for interpretada por um cantora feminina:
“Voce é o meu chuchu, você é a minha vida
Vivo por você, mulherzinha amada”

Letra tipica de um sertanejo (universitario ou não), funk ou o diabo que for popular interpretada por uma cantora feminina:
“Sou foda, não preciso de você
eu sou mais eu, como eu sou fodona!”

Eu poderia continuar por algumas horas com exemplos mas já cheguei no ponto onde eu queria. O ponto atual que se encontra nossa ginecocracia é o estagio classico da vitimização e da abolição das consequencias. Explico: imagine que você esteja no poder, certo? E qual seria sua primeira atitude para manter o seu poder? Exatamente, depreciar seus competidores. O “outro lado” não tem que ser só mau, tem que ser chato feio e bobo e te fazer de pobre vitimazinha. A casta dominante se fazer de vitima sempre é um truque muito facil e recorrente (pergunte a um evangélico sobre o quanto ele já foi oprimido, por exemplo).

Na alemanha nazista a propaganda do estado era que os judeus não eram só maus, eram perniciosos, perigosos e cheios de doenças contagiosas. Esse era o discurso oficial, do quanto os terríveis e malvadões gananciosos judeus oprimiam o belo e sofrido povo alemão.

“Sem dúvida, os judeus são uma raça, mas não são humanos”, frase pronunciada por ninguém menos que Adolf Hitler e que associamos à propaganda nazista que sistematicamente vinculava a imagem dos judeus àquela dos ratos

Esse era o discurso da casta dominante. A realidade, bem, todo mundo sabe o que acontecia.
Intelectualmente, não mudou muita coisa (não digo na pratica, mas no campo das ideías a politica é a mesma). Ok, então me diga quais os dois tipos mais INACEITAVEIS de violencia que existem, de chapa assim, a primeira coisa que vem a sua mente!

Deixa eu adivinhar… violencia contra a mulher e violencia contra a criança foi o que você pensou, certo?
Ué, mas como eu que nem te conheço posso saber o que você pensa? Ah, os mistérios da propaganda…
Mas vamos ver mais de perto esta história de violencia contra a mulher, ok?

Mariazinha é uma garota não-obesa-morbida (essa parte é importante) normal. Como toda mulher que não é infinitamente banhosa, ela não sai de casa sem receber 4571 cantadas, 2873 declarações de amor, 579 ofertas de escravidão incondicional e 13 pizzas de frango com catupiry de cortesia da casa. Mas a programação instintiva de Mariazinha lhe diz que ela tem que escolher um macho, entre os 4 bilhões que ela tem a escolha no planeta, para procriar alucinadamente.
Entre os trilhões de candidatos (ao ponto que se Mariazinha parar um completo estranho na rua e disser “é tu!” esta encerrada a questão), pegaremos apenas dois exemplos classicos.

Robertinho é o tipico macho beta. Ele é inteligente, esforçado, paga suas contas em dia, respeita as pessoas, é educado, confiavel, não gosta muito de beber e joga tazo de Pokémon com os avós. Na escola sentava na fileira da frente e tinha as melhores notas.

Osvaldão é o tipico macho alfa. Ele é estúpico, vagabundo, tá nem aí pra nada, dá risada furando as filas com seu carrão sem escapamento, adora encher a cara, trata os outros que nem lixo. Na escola, sentava no fundão, repetiu umas 15 vezes de ano, comeu todas as gurias da sala e fazia caras como Robertinho comtemplar o suicídio diariamente.

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Diante destes dois candidatos, Mariazinha escolhe Osvaldão. Ela não sabe explicar o porque, é uma escolha inconciente feita através de algo inexplicavel que ela não sabe explicar (de um nome vago e aleatório, como amor ou inspiração divina ou qualquer coisa que pareça profunda e complexa). Na verdade é apenas a sua programação animal falando mais alto a fazendo escolher pelo macho mais alfa possível, mas Mariazinha gosta de pensar que é especial e mais do que apenas um animal que usa roupas (bem curtas, é verdade).

Dez anos depois Mariazinha está gravida do seu 4o filho. Passa o dia em casa vendo sessão da tarde porque Osvaldão não permite que mulher dele saia por aí pros outros verem. Osvaldão enche a cara todo dia e dia-sim dia-não acha que é um bom esporte meter a mão na cara da Mariazinha.

OH! Quem poderia prever isso acontecendo?
Bem, aparentemente TODO MUNDO… exceto a pobre e sofrida Mariazinha.
Ai que dó, né? Tadinha xentiiiii…

Eu faço brincadeira, mas essa é a programação que apropaganda que é implantada socialmente. Mulheres podem tudo sem ter que lidar com as responsabilidades dos seus atos porque é direito delas! Ninguém, absolutamente ninguém obrigou Mariazinha a ficar com um traste como o Osvaldão e qualquer um que tenha neuronios o suficiente para conseguir respirar via que tipo de pessoa o Osvaldão era. Aí quando MAGICAMENTE acontece o que era OBVIO que ia acontecer… a Mariazinha é uma vitima.

Inimputabilidade pelas consequencias de seus atos. É assim que as castas socialmente superiores funcionam.
Não era errado ter escravos negros, era o seu DIREITO!
Não é errado chibatar alguém de uma casta inferior que ouso dirigir a palavra a sua vaca sagrada (estou falando literalmente, deixa a Mariazinha fora disso), é o seu DIREITO!
Não é errado a Mariazinha escolher o pior traste possível e achar ruim quando ele se demonstra ser a pessoa que ela escolheu, é o DIREITO DELA!

Então, acabei decorrendo bastante sobre o feminismo e o status quo da nossa sociedade porque foi o que acabou me ocorrendo enquanto assistia este filme com a dona da mansão para amigos imaginários. Era isso ou pegar no sono, diga-se de passagem.

Sai do meu carro vadia, isso não é uma cozinha!

“Plano de Voo” é um thriller (‘Cause this is thriller/ Thriller night/ And no one’s gonna save you/ From the beast about to strike) chatinho que conta a história de mulher chata e pirada fazendo mulherzices. Aparentemente o marido da Jodie Foster não aguentou o quanto ela era chata e pirada e se matou – o filme já começa errado com ela reconhecendo o corpo no IML francês… já no caixão! Porra, preguiça é foda viu.

Aí a sra Foster pegou sua pimpolha (tão pirada quanto ela) e voltou para os US and A para desovar o presunto. Só que durante o voo a pirralha desapareceu e a pira do filme é “será que ela realmente existia … ou a sra Foster tem mais um amigo imaginário?”. Bem, honestamente… FODA-SE!

Blablabla, mulherzices, blablabla, personagens clichês, blablabla.

Sabe, tem duas coisas que eu não gosto em Lost. Apenas duas: o roteiro e os personagens. Fora isso não tenho nada contra a série. Veja, o roteiro é não-existente (ah taca uma merda aleatória ae e semana que vem os nerds dos fóruns vão bolar uma explicação pra gente) e os personagens são CHILIQUENTOS. E como eu odeio gente chiliquenta. É sério, Lost funciona do tipo “faz o que eu to mandando senão eu vou ter um chiliqueeeeeee”. É um porre isso.

E Plano de Voo é um chilique de uma hora e meia. POUTAQUEOPAREO! Meu sonho era lançarem um jogo desse filme só pela possibilidade de meter a mão na boca da vadia esquizofrenica. Com efeito a melhor cena do filme é quando um arabe terrorista (tem algum outro tipo?) se enche dessa putaria e dá com a cabeça da malinha numa poltrona… ah tanta vitória, eu amo o Alhmahjinejad desse filme!


- Eu quero a minha filhaaaaaa espuma espuma espuma
- Senhora, sua filha nem estava na lista de passageiros e ninguém viu essa criança do inferno
- MINHA FILHAAAAAA OQ IQWJKAWJEKJAKJ
- Entendo senhora… bem, por favor poderia virar na direção do nosso extintor pacificador bem ali?

Então o filme é isso, uma mulher chiliquenta enchendo o saco por causa de uma criança que o mundo estaria melhor sem (porra, criada por essa doida, que tipo de psicopata vai sair disso?) e blablabla por uma hora e meia. Ou mais, talvez eu tenha dormido um pouco. Eu certamente queria ter dormido.

O filme tem dois aspectos interessantes, no entanto.
O primeiro é que involuntariamente o filme me fez pensar no quão até o pescoço estamos na ginecocracia. Sério,a  mulherzinha chiliquenta pinta e borda, apurrinha a tripulação, vai em areas de acesso exclusivo, espuma em metade do avião querendo a porra da filha dela chama um passageiro de terrorista filho da puta na cara dura e só detida quando depois de muito passarem a mão na cabeça dela a piranha louca finalmente quase derruba o avião. Sério, ela do nada vai até o compartimento de carga e arrebenta o vidro de um carro porque… sei lá, deu vontade. Mas ok, ela e mulher em busca da sua filhinha mada, ela pode tudo.

E esse é o ponto do filme: uma mamãezinha pode tudooooooo. Tomanocu.

Agora imaginem este filme com um homem como protagonista. Na primeira que ele aprontasse a plateia já estava levantando e indo embora por terem colocado um monstro maligno como protagonista.

Sério, em determinada hora ela vai lá encher o saco do Abdul Hassala lá (o mesmo que posteriormente se tornou meu herói por esmagar a cara dela no ferrinho da poltrona) porque acha que viu um arabe na janela antes de partir para o tal voo. E como todos os arabes são da mesma irmandade terrorista, ele deve ter sequestrado a filha dela! É claro! Pois é, agora imaginem esta cena se um homem fizesse isso que mostro preconceituoso ele seria. Mas como é uma mamãezinha ela pode tudo.
Alias esta cena tem desdobramentos particularmente vergonhosos, com o surgimento do classico americano babaca pra chamar o arabe de terrorista e blablabla. Oh como os americanos são maus e preconceituosos… são tão maus e preconceituosos que podem fazer um filme dizendo o quanto eles são maus e preconceituosos, vai fazer filminho lá no Irã, na Coreia do Norte, vai espertão…

US and A, terra dos fortes e livres

Enfim, o filme é recheado de cenas constrangedoras e chatas assim por uma hora e pouco até que… PAN PAN PAAAAAAAAAAAAN, a grande reviravolta surpreendente! Não vou dizer qual é, mas se você não tiver deduzido até esse ponto do filme se mata véi, serião.

Basta dizer que quando o filme entra em sua reta final e parece que estarei livre dos chiliques da bicha louca e sua pimpolhuxa que pode ou não ser ser real… eis que surge um vilão maligno do mal! OH NOES! Ele é tão maligno, mas tão maligno que confira só a descrição deste MONSTRO TERRORISTA SEM ESCRUPULOS!

- Branco
– Americano
– Capetalista (faz tudo pelo moneyyyyyyyyyyyy yeah money como amamos money…)


OH NOES! Um vilão caucasiano capitalista surge malignamente!

Uau, que super revolucionario. Quer dizer, eu não saberia deixar o filme politicamente mais correto nem que eu quisesse. E eu não faço ideia de porque iria querer uma porra dessas, bátima..

Enfim, depois que achava que estava livre da puta loira malona eis que um vilão maligno malicioso politicamente correto surge magicamente! Felizmente ele some tão magicamente quanto surgiu em cenas de tensão tão tensas quanto as piadas da Dercy Gonçalves eram engraçadas. Sério, aquela véia era um porre que nunca teve graça, alguém tem que dizer isso!
Então você soma personagens insuportaveis, um roteiro politicamente correto a cenas de “ação” que fazem querer você enfiar um diazepam no olho e ta-da, são duas horas da sua vida que jamais voltarão. Uma trama que te faz pensar “UAT!?!” de tão tosca também adentra a furia de um Jeremias na seca.

Wat

Sério, como eles tiveram coragem pra puxar a trama da “reviravolta” é algo que possivelmente jamais compreenderemos… ou o que essa imagem significa…

Mas hey, eu tinha dito que o filme tinha duas coisas boas, lembra?
Uma delas foi que como a parada é um lixo mesmo, eu pude viajar legal sobre o mundo que feminista que vivemos. Agora a coisa realmente legal mesmo do filme, o que quase faz valer a pena é o avião no qual ele se passa. Caralho que avião foda, sério, o bicho é tipo um shopping com dois andares, bar, mais grande que fila do INAMPS. Porra é muito massa ver os detalhes deste trombolhão que em certas partes parece um navio (nas partes que a tripulação mora e tal). É uma obra da ciencia e da grana que me fez agradecer não ter nascido um lemure (embora eu certamente remexeria muito, muito) para poder um dia viajar nesta NAVE.

Emirates A380. Luv ya.
Muito foda MESMO.

Se bem que quando o CENÁRIO é a coisa mais positiva coisa do filme… cara, isso já não diz o suficiente?
Eu sei o que você tá pensando, sim, mas pelo menos Titanic tinha a Kate Winslet pelada. E esse aqui, qual a sua desculpa? (bem, isso explica porque só um deles arrecadou quatro googleplex de dolares só no primeiro dia de exibição)

Voce assistiu esse filme 15 vezes por causa dessa cena.
E pra ver as pessoas escorregando quando o navio inclina. Admita.

Bem, no fim o bem vence o mal e espanta o temporal e o filme nos diz que a mulher é incrivel, fodona e todos devemos pagar pau para a mais gloriosa e poderosa força da natureza, uma mamãezinha!!!

Eu mereço viu…

Brace yourselfs, oblivion is comming

PS: O filme tem uma terceira coisa boa sim, pesquisando sobre ele descobri que o Boromir dubla o imperador no Oblivion, eu não sabia disso, que foda hahahae!

PRODUTORA: From Software
DISTRIBUIDORA: Atlus (exclusivo PS3)
JOGADORES: 1 (até 3 online co-op)
ANO: 2009

Todo grupo de super-heróis (dos X-Men aos Cybercops) tem aquele vilão maligno do mal que não tem nenhum poder novo, ao contrário disso é a junção de seus melhores poderes – como o Massacre, aproveitando a citação dos X-Men, que tem o poder de escolher não andar do Xavier e o terrivel mal gosto de enfiar um balde vermelho na cabeça do Magneto. Raios, raios duplos, raios triplos, se você não pensou no Capitão Planeta vá procurar fotos da Emma Watson sem calcinha pra fapear até criar pelo na cara o suficiente pra me aparecer por aqui!

O que você provavelmente nunca parou pra pensar é que a natureza também tem uma criatura assim: um predador perfeito sem nenhuma habilidade realmente exclusiva, mas poderoso pela combinação de muitas dos animais. Você poderia pensar que um predador assim não teria oponente igual e logo dominaria o mundo, e efetivamente foi o que aconteceu. Estou falando, claro ô bocomoco, de você e de mim. Ok, talvez você tenha paralisia cerebral e os dedos amputados que usa um hack do kinect para ler esse texto através do microsoft sam, estou falando de eu mesmo.

Ou do ser humano, se preferir. E não, infelizmente nós não temos a capacidade de sentir eletricidade como os tubarões, mas os nossos sucessores evolutivos naturais, os cilonios, certamente o terão.

“Não olha pra trás agora, mas tem uma torradeira me seguindo…”

Pense sobre isso, o serumano não possui nenhuma capacidade realmente única. Nós não somos a única espécie a ter uma linguagem, baleias o fazem, mas temos a melhor e mais complexa. Nós não somos a única espécie a modificar o terreno as suas necessidades, castores o fazem, mas nós fazemos mais, maior e mais complexo. Nós não somos a única espécie a ter consciencia de si mesmo, golfinhos reconhecem sua imagem no espelho como sendo a si mesmos e não outro animal, mas nós inventamos o ponto de interrogação e a cirurgia de redução do estomago. Nós não somos os únicos a compreender a morte noção de morte, elefantes tem cemitérios que vão para morrer (foda-se a ciencia se isso é mito, tá no filme do Rei Leão e logo é verdade!), e embora nós não sejamos os únicos a temer a morte, nós fomos os únicos a criar o seguro de vida e as religiões

“Rei Leão, a maior fonte de sabedoria e ciência de nossos tempos”

Com grandes poderes vem grandes responsabilidades, já dizia o tio Benn (e caso você não tenha ouvido a frase ela será repetida de novo, de novo e de novo). Tantas habilidades legais nos tornam o suprasumo da piramide alimentar (em terceiro lugar na verdade, atrás apenas dos zumbis e dos metroids – e não, naõ falaremos sobre metroids zumbis neste blog) selecionando o melhor que a natureza tem a oferecer, mas isso tem um preço no entanto. Um preço bastante alto: SUA ALMA! MWAHAHAHAH! MWAHAHAHAHA! MUA-HA-HA-HA-HA!


“Poder ilimitado e mcdonnalds aberto as 4 da manhã…
em troca da sua alma imortal!”

MUA-HA-HA-HA! (é muito gostoso escrever mwahahaha no teclado, eu deveria tentar ser maligno mais vezes)

Sério, sabe aquela parada de livre arbitrio, ciencia do bem e do mal e blablabla? Bem, fuck that, isso não existe realmente. Em troca de ser a ultima coca-cola do deserto da evolução (até este os cilonios-zumbis chegarem) nossa espécie tem um ponto fraco, um calcanhar de aquiles devido justamente ao que nos faz realmente grandes.

Mas qual nossa maior fraqueza, você pergunta?

Ora, você sabe tão bem quanto eu: somos escravos dos nossos instintos, assim como qualquer animal é.

Nós podemos construir piramides, ir a Lua ou fazer o nucleo do planeta voltar a girar usando bombas nucleares (nós temos bombas nucleares em primeiro lugar, chupem essa formigas!), mas a grande verdade sobre o homem é que fazemos isso por um único motivo: obedecer nossos instintos para conseguir a boa e velha bimbada da piroca ensandecida. Sério, quando o primeiro homem abriu a cabeça do outro com uma pedra, na época que oncinha tava na moda, não foi por outro motivo senão dar uma pimbada selvagem com a mulher mais próxima. E muito provavelmente ele conseguiu, diga-se de passagem.

Porque? Porque é isso que somos: animais incrivelmente complexos e únicos, mas ainda sim animais.

E os homens não fazem NADA na vida senão embusca dos três pilares da existencia: comida, abrigo e sexo.

Pense numa mina de mineração, o que faz o caboclo se enfiar num buraco junto com 251 outros caboclos sem ar, agua e acesso a internet? Porra, é uma merda de emprego, porque alguém faria isso? Exatamente, pra ter sexo.

Mas peraebial, qual a relação? No que fazer isso…

… vai me ajudar a conseguir um tchaca-tchaca na butchaca? Quer dizer, a menos que você tenha um pinto absurdamente grande e o buraco em si já resolva suas necessidaes, claro…

Bem, para isso você tem que compreender como os instintos funcionam nas mulheres. As mulheres são “programadas” pelos insintintos a conseguir o macho mais alfa, mais fodão e mais macho que elas conseguirem para perpetuar a espécie. A grande pegadinha aqui é que o que é ser o mais fodão significa. Na pré-história significava que você conseguia abater o maior bifossauro possível e a arrastar pelos cabelos para sua caverna… tá, hoje em dia isso não mudou tanto assim e vou dizer que em lugares menos civilizados onde o ser humano é mais bicho (como a Africa, o Oriente Médio, o nordeste brasileiro e o Rio de Janeiro) isso funciona. Mas de qualquer forma, a grande pira dos dias de hoje é o poder. PODER! PODER ILIMITADO! MWAHAHAHA!

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Continue lendo e entenda porque isso é amor verdadeiro

Ao contrário da crença popular, mulheres não amam dinheiro. O dinheiro por si só é legal e tal, mas não é o cara ser multimilhonário que causa esse efeito nas mulheres:

Você veio dirigindo o que?

Pode parecer contraintuitivo, mas pense sobre isso: em um mundo em que todos fossem trilhardarios, você acha que ser rico realmente faria alguma diferença? Claro que não. O que realmente pega é o poder asssociado ao dinheiro. Um homem rico é um macho poderoso e por isso ele é cobiçado pelas mulheres, ele exala poder, ele tem atitudes poderosas, ele caga poderosamente!

Cê também não se ajuda, né Vinicius?

Se o Roberto justus perdesse todo o dinheiro dele hoje mas mantivesse sua persona poderosa, por exemplo, ele ainda pegaria muito mais mulher do que você sequer já imaginou fapear para. Dinheiro trás poder. Poder trás sexo. E homens querem sexo. Ponto. Por isso os cabras se enfiam nas maiores roubadas da história (literalmente) e enfiam suas vidas em buracos (literalmente, novamente). Porque tudo que os homens fazem é para dar umazinha com a ninfeta mais gostosa possível, e para conseguir isso eles precisam ser poderosos. Por isso os homens fazem coisas, por isso os homens vão a lua, por isso os homens conseguem dividir um numero por zero. Existe um manga que eu lembro vagamente dos meus obscuros tempos de otaku (passado negro, a gente por aqui) chamado Chobits em que foi criado um tipo de robo tão similar ao ser humano que causa o colapso da sociedade como a conhecemos. Podendo ter a perseguida no conforto de seu lar por 36 prestações nas casas Bahia, os homens param de sair de casa e de fazer as coisas porque o vai-vem da piroca selvagem está garantido mesmo.

Como eu disse, os homens fazem tudo para descobrir o cappucino. Inclusive videogames.

Exatamente. Isso mesmo. Apesar do paradoxo que possa parecer (quer dizer, jogar videogame é um atestado de que você é um nerd gordo sebendo e NÃO VAI pegar ninguém, estou certo ou estou certo?), os videogames foram criados e são vendidos por gente que quer ganhar dinheiro (e com isso ter poder para comer a femea mais gostosa e jovem possível). OH NOES! QUER DIZER QUE ELES FAZEM VIDEOGAMES POR DINHEIRO E NÃO POR AMOR?

Yeap, datis raiti. Jogos são feitos por dinheiro (porque dinheiro trás mulheres e parentes, como já explicado anterioremente) e isso desde os tempos dos fliperamas. Quer dizer, lembra dos fliperamas, certo? Aqueles antros de fumaça e perdição (shoppings, bah!) que tinham jogos “incriveis” que eram absurdamente dificeis justamente para comer suas fichinhas em 2 minutos. Tempos loucos aqueles, não?

E por muito tempo a dificuldade foi a marca registrada dos jogos, já que o objetivo era este.


“Jogo dificil é dificil”

Quando a Nintendo mudou tudo e lançou o primeiro videogame que era bem mais do que portação dos arcades, com seus próprios hits, você pensaria “bem, não tem porque os jogos serem infinitamente dificeis agora”, certo? CERTO?

Bem, errado. Os jogos continuaram infinitamente dificeis mesmo sem estar preso ao sisteminha de fichas do fliperama. Mas porque isso? Muitos idiot… digo, gamers, acham que é por uma “opção artistica” dos criadores que queriam fazer os jogos de antigamente abusivamente dificeis por um motivo criativo e para provar um ponto e blablabla. Há! MERDA DE TOURO! MERDA DE TOURO EU TE DIGO!

Os jogos eram dificeis do NES apenas e exclusivamente porque aquela porcariazinha de cartucho cabia o que? Meia hora de jogo se tanto! E como você ganha dinheiro vendendo uma porcaria cara (fazer jogos, distribuir e vender não era a produção hollywodiana que é hoje, mas nunca foi exatamente um passeio no parque) que dura meia-hora? Quer dizer, como eu vou ganhar dinheiro e pegar geralzão com uma porra dessas, bátimã?

A-há, simples! Faça essa merda ser dificil! Mas dificil como o cão tocando o tema da vitória do Senna num cavaquinho enferrujado! Faça-os jogar a mesma fase de novo, de novo e de novo até o fim dos tempos de tanta dificuldade! Faça o jogo de meia hora render anos devido aos seus niveis insanos de dificuldade! MWAHAHAHAHA! MWAHAHAHAHA!

DESCLAMADOR: A figura da direita é meramente ilustrativa e jamais se aproximaria de um videogame nem com uma vara de 18,3 metros

Com o tempo, no entanto, a tecnologia evoluiu e o jogos puderam ser menos “roubativos” e render boas horas de diversão sem precisarem ser roubadamente dificeis. Primeiro os passwords, depois os saves na bateria do cartucho até finalmente o memory card, até os dias de hoje em que ninguém mais sabe de que porra eu estou falando.

Mas o capitão nostalgia, falando diretamente do porão mofado da mamãe, ficou na cabeça que aqueles eram os bons e velhos tempos em que tudo era perfeito e unicornios cagavam arco-iris, e que os jogos dificeis eram bacanas. O que alias foi o que exatamente eu disse no primeiro post desse blog.

“Foi o melhor dos tempos.
Foi o pior dos tempos.”

E então eu ouvi falar de Demon’s Soul. E a primeira coisa que eu ouvi sobre ele era que o jogo era lazarentamente dificil. Mas puta dificil. Mas doentemente dificil. Mais dificil que sair da Friendzone sendo gordo desempregado. Mais dificil que peidar com diarréia, mais dificil que o Corinthians ganha libertadores, mais dificil que tirar a cueca sem tirar a calça.

Ao que prontamente eu torci o nariz. “Bah”, pensei, “outra porcaria pegatrouxa pra ganhar dinheiro em cima dos capitães nostalgia da vida” – concluiu Cilon enquanto se sentia absurdamente literario usando falas dentro da frase.

Hoje, 120 horas depois e com o jogo platinado (ou seja, todas as conquistas obtidas) posso realmente opinar sobre o jogo, e minha opinião é a seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=HUZmz2upqr0

Entretanto a grande, grande pegadinha do jogo é a seguinte: ele não é dificil do jeito que os “bons e velhos jogos” eram dificeis. Nah, nada daquela babaquice de aumentar o numero de inimigos na tela, ou inimigos posicionados em locais altamente foditivos (tipo o cara parado na plataforminha atirando que vai te fazer cair no buraco) ou essa loucurada toda. Não, Demon’s Soul é parangaricotirruamente dificil, mas dificil de um modo inteligente.

E o que viria a ser uma “dificuldade inteligente”?

Ora, é aquela que é baseada na sua curva de aprendizado e na sua atenção.

Sério, tirando ser gordo e ter uma prima gostosa, poucas coisas são mais frustrantes do que a primeira hora desse jogo.

A coisa é dificil, mas tão dificil que você xinga, pensa 3,141516 vezes em atirar o controle na parede para defecar sobre o local onde ele cair e cimentar em cima. É tão dificil, mas tão dificil que provavelmente você morrerá no tutorial!!!

Aí passada uma hora de persistente e mascula persistencia o jogo começa a estranhamente ficar mais … fluído. De repente você não morre mais 150 vezes no primeiro inimigo (e isso vai acontecer, acredite) e da até gosto espetar os filhos da mãe dementes. Mas perae, como assim o jogo começou a ficar menos dificil depois de uma hora? Que tipo de programação eles usaram aqui?

Que diabo de bruxaria é essa?

Foi então que eu me dei conta de uma coisa tão óbvia que me atingiu com a força de um peido catinguento em um elevador lotado: não é que o jogo tinha ficado mais fácil, eu que estava ficando bom naquilo. E aí eu me senti infinitamente másculo e poderoso.

Como você se sente após uma hora de jogo

Não se engane no entanto se você acha que o jogo se torna fácil em algum momento. Como um bom mestre oriental de artes marciais, ele pune com ferocidade e dança mística a arrogancia e propotencia e não existe imagem mais iconica disto do que o fato que na minha ultima hora de jogo antes de fechar a bagaça morri na primeira fase com meu personagem de nível 222 porque fui arrogante e não prestei atenção e achei que era “só passar”. Se você der mole pra esse jogo, ele quebra seus joelhos ao contrário e te estupra com o seu próprio pinto.

E sim, você ainda vai querer desistir, chorar e atirar o controle para a Russia milhares de vezes durante o jogo. E em nenhum momento você vai amaldiçoar o jogo por estar te roubando ou algo do tipo, e isso é o mais incrivel de tudo. Todas suas falhas, e serão milhares, serão falhas suas e suas apenas.

Explicado isso, vamos ao jogo: Demon’s Soul lembra muito, sobre todos os aspectos, o clássico Diablo e eu realmente diria que é o Diablo desta geração. E se eu disse tá dito, caraio!

Mas voltando ao jogo, é um jogo de ação em terceira pessoa que se diferencia primeiramente por seu sistema de combate único em que a chave não é o esmagamento aleatório de botões mas sim o timing dos golpes (e essa é uma das chaves de dominar a dificuldade da coisa). Existem dois tipos de golpes (curto e longo) que variam conforme a arma que você esta usando e o grande segredo da coisa é encaixar o golpe na defesa do adversário… como seria em um combate medieval real!

Alias outro grande ponto do jogo é a total customização do estilo de combate (logo, o estilo de jogo): de mago a ladino, passando por barbaro e cruzado sagrado, você pode montar o seu estilo de combate conforme melhor apetece ao seu coração lindo de deus. O jogo te dá ferramentas para “montar” seu estilo de combate e disso provem muita felicidade.

Mas como eu ia dizendo, o game exige muita técnica por parte do jogador, não basta apertar botões de forma frenética para evoluir no game, é necessário pensar, criar técnicas para passar pelos desafios oferecidos pelo game, e esta tarefa se torna mais difícil ainda pelo fato de que o jogo não pode ser pausado, os menus assim como na maioria dos games atuais são do tipo que não param o game, e se você pensa que basta defender até que você consiga enxergar uma saída você também está errado, pois há uma barra de stamina que será consumida a medida que você realiza certas ações (como defender, e ao acabar a stamina sua defesa se torna zerada), por isto a saída é raciocinar rápido mediante as várias situações difíceis oferecidas pelo jogo. A stamina também governa suas ações (atacar, rolar, defender consomem estamina) então é você tem um pool limitado de ações antes do personagem perder o folego.

É um sistema de combate bastante gostoso e realista ao mesmo, do tipo que parece bastante infantil jogar outros jogos de esmagamento de botões depois disso.

90% das mortes nesse jogo se devem ao efeito mim esmaga no controle, diga não ao modo hulk!

Mas bem, o que seria uma mecanica ótima em um cenário insosso?

Seria bastante parecido com o que eu falei sobre inFAMOUS no fim das contas, mas este não é o caso aqui: Demon’s Soul é o jogo sem história com o melhor cenário já realizado pelo homem. Mas perae, como o cenário pode ser legal se a história é só um fiapo? Bem, senta que la vem a história…

Primeiro, assista o video de abertura (é bonitão, vai na fé)

Almas são a força preciosa que move o mundo por detrás do mundo. Toda magia, toda fé, todo poder e mesmo a sanidade se baseia no uso de almas humanas. Demonios são bestas que se alimentam de almas para adquirir poder – e sem uma alma a pessoa simplesmente enlouquece. Quando uma região fica vazia de almas, uma nevoa densa se abate sobre o local e nada do que entra ali torna a sair.

O Rei Alant XII explorou o uso de almas humanas para desenvolver em glória e poder o grande reino de Boletaria, só que em sua cobiça ele foi longe demais e acabou despertando o Antigo (the Old One), que uma vez despertado trouxe seus senhores Demonios para Boletaria, que logo foi coberta pela névoa. Meio cthulhiano isso, não?

EXATAMENTE essa a ideia, infinito niveis de formidavel!

Poder ilimitado mexendo com uma forma de existencia puramente maligna incompreensivel? Pareceu uma boa idéia na hora…

E este teria sido o fim de Boletaria, não fosse o heróico feito de um bravo herói que atravessou a névoa e contou ao mundo da desgraça que se abatera sobre a isolada boletaria. Agora alguns poucos e bravos heróis adentram o nevoeiro de Boletaria para tentar desfazer o seu triste destino… ou para ceifar para si mesmo inumeras almas de demonios e atingir poder absoluto! MWAHAHHAHA! PODER ILIMITADO! MWAHAHAHAH!

Você é um desses wanna-be heróis que tentou adentrar a neblina e… morreu.

Entretanto sua alma foi presa magicamente ao Nexus – um lugar entre os lugares – e para sair de lá você tem que derrotar os 5 generais-demonois do Antigo, para que tendo as almas deles ele seja obrigado a te escolher como seu novo campeão… e é nessa hora que você vai botar o bicho pra dormir (ou não!)

Bem, esse é o plot básico. Ao longo do jogo pequenas frases dos NPCs dão uma ideia ou outra do que realmente aconteceu ou de como as coisas são (por exemplo, um vendedor explica porque ele te vende itens em troca de almas: almas permitem que ele mantenha a sanidade, então o modo que ela conseguiu de permanecer sã ali foi trocar almas por mercadoria) mas em nenhum momento se adentra muito nisso ou se aprofunda. Isso poderia ser uma falha do jogo, mas acontece que o cenário é tão bem construido e as coisas fazem tanto sentido dentro do mundo que você sente (e é mais um sentimento mesmo) que existe uma grande e gloriosa história por detrás do reino de Boletaria e apenas acontece de você ter chego na pior hora possível. Se tivesse chego lá em um dia de sol e cantoria, Boletaria seria um lugar complexo e desenvolvido (em termos de história).

“Fa-fé-fi-fó-fum… seu cú não será perdoado!”
Ah, os classicos… 

Na verdade, na verdade, o clima do jogo lembra muito Shadow of the Colossus. Há uma solidão muito grande andando por ruínas de um lugar perdido mas que claramente já teve seus grandes dias. E dizer que o clima lembra Shadow of the Colossus é o segundo maior elogio que se pode fazer na história dos elogios (atrás apenas de “ela é branca como uma russa”).

Russas…

O jogo é depressivo, opressivo e sombrio – somado ao fato que você nunca pode pausar o jogo a experiencia se torna um tanto angustiante – mas acima de tudo, solitário. Sim, você está sempre matando coisas, mas são apenas monstros irracionais ou corpos de humanos dementes, quando você encontra alguém com quem conversar é uma experiencia bastante marcante. Eu destacaria principalmente o cenário “Torre de Latria”, em que você começa numa prisão. Lá os prisioneiros foram presas fáceis para os demonios e perderam suas almas rapidamente, e você os encontra ainda em suas celas. Ao abrir as suas celas alguns poucos o atacam, mas a grande maioria simplesmente se joga na sua frente gemendo doentemente implorando que você os mate e os liberte daquele sofrimento. É algo bastante pesado, na verdade. Adicionalmente você vê que a Prisão da Esperança nunca foi um lugar exatamente legal em primeiro lugar mesmo antes da nevoa recair sobre Boletaria, e algumas pessoas estão presas em donzelas de ferro ou dentro de vasos apenas com a cabeça de fora (classicas formas de tortura medievais, alem de muitos grilhões e cadeiras com espinhos). Mais do que medo, o que aconteceu com Boletaria evoca… pena. Em toda sua dificuldade Demon’s Soul é um jogo profundamente melancolico, e se o jogo te faz sentir isso é sinal que você ao menos se importa – e isso é algo muito, muito raro.

Quer dizer, exceto se você for um gato.
Eles nunca se importam.  NUNCA.

E é assim que Demon’s Soul cria o seu clima, através de cenário, ausencia estratégica de trilha sonora em certos momentos, neste clima medieval sombrio mas sem muita narrativa propriamente dita. Apesar da pouca narrativa, cada fase tem um “clima” e conta a sua maneira um pedacinho sobre como era a vida em Boletaria, de modo que cada chefe acaba parecendo dentro do contexto e bastante razoavel

Voltando a mecanicaEntão basicamente existe um “hub” seguro, o Nexus de onde você pode acessar os 5 mundos de jogo. Cada mundo tem 3 ou 4 fases e não existe savepoint. Ou seja, se você morrer volta ao inicio da fase – mas a grande sacada aqui é que durante a fase você vai abrindo o caminho até o chefe, atalhos. Por exemplo na primeira fase o chefe fica logo atrás do portão do castelo na frente do começo da fase. Mas para abrir este portão você tem que dar uma puta volta. Mas depois que abriu, mesmo que você morra e volte ao começo da fase é só seguir pelo portão aberto e enfrentar o chefe. E assim sucetivamente.

É impressionante o quanto o desenho das fases é inteligente, tão inteligente que chega a surpreender quem estava acostumado com os jogos modernos que tratam o jogador como um retardado mental. Sério, corredores estreitos com inimigos previsiveis isso quando não tem uma maldita seta luminosa mostrando o caminho para a criancinha.

Em Demon’s Soul os itens interagiveis (como alavancas e pontes que você precisa para abrir o seu atalho) não brilham para mostrar ao jogador que você tem que mexer ali! Um dos exemplos mais classicos é que ao atravessar um corredor estreito num tunel eu acabei saindo em um mirante mais aberto. Meus anos e anos de videogame gritaram: espaço aberto depois de corredor estreito = hordas e hordas de inimigo. Certo? ERRADO.

Não vieram as ondas de inimigos no “susto fácil” que qualquer jogo moderno tentaria te pregar. Aquele espaço aberto, o jogo estava me dizendo, apenas parte de como o mundo é naturalmente em não algo construído preguiçosamente apenas e exclusivamente para gritar “BOO!” nas suas costas.

Design preguiçoso, a gente vê por aqui

Outra coisa que faz o jogo parecer um mundo bem construído imersivo (e não apenas um maldito jogo) é justamente que alguns chefes são absurdamente fáceis depenendo do seu estilo de jogo ao passo que outros são doentemente dificeis. Sendo um mago, por exemplo, é muito fácil explodir alguns chefes a distancia sem ao menos se importar, enquanto você chora lágrimas de sangue contra os que vem pra cima na porralouquice. Se eu fosse um guerreiro armadurado, no entanto, seria o contrário. Moral da história? O mundo é esse, ele não foi feito para você, ele está lá e você tem que se adaptar a ele, naõ o contrário (como acontece na mimação desgraçada dos dias de hoje nos jogos).

O melhor mestre de RPG que eu já conheci sempre diz que o cenário dele é esse, o mundo é assim, ele não se molda aos jogadores tanto quanto o nosso mundo naõ se molda as nossas pessoas, ele é apenas é. Por isso algumas coisas que poderiam ser dificeis são absolutamente fáceis e algumas coisas que pareceriam faceis são tristemente dificeis – e foi exatamente esta a sensação que eu tive jogando Demon’s Soul. O mundo é esse, não gostou azar é do goleiro.

E isso é realmente awesome.

Por fim vou falar de algo que eu normalmente ignoro nos jogos: o modo multiplayer.

Multiplayer… argh…

É fato conhecido que eu tenho 97% das patologias conhecidas pela psicologia e mais uns 25% das não-conhecidas, o que significa que eu odeio interagir com pessoas, pessoas são chatas, feias e bobas e eu quero elas longe bem longe da minha casa, mais longe ainda do meu quarto e completamente fora do meu videogame. Ou seja, eu ignoro os modos online dos jogos.

Exceção feita a Demon’s Soul. Eu não só gostei do modo online como fiz questão de usa-lo! E isso é muito, vindo de mim!

O modo online de Demon’s Soul funciona de diversas formas. Primeiro, você pode deixar mensagens (existe uma lista vasta de opções possíveis) no chão que outras pessoas no servidor verão. Tipo deixar diante de um penhasco “Dê um passo a frente” – o que significa que ali pode ser um lugar que tem um item se você seguir adiante… ou que o cara tá te trollando. Ao ter sua mensagem recomendada no entanto você recupera vida (e nesse jogo dificil, vir uma curinha magicamente do nada SEMPRE ajuda) o que incentiva a deixar mensagens uteis ou no minimo divertidas (como encontrar “tem um beco sem saída a frente” e no fim dele escrito “Eu não disse?”).

Uma das mensagens mais legais é quando voce quer pedir ajuda:
“Eu queria ter alguns amigos…”. Que mensagem mais forever alone hahaha

Você também pode deixar uma marca no chão para ser conjurado para o jogo de outra pessoa (ou conjurar alguém que deixou uma marca no chão) para jogar co-op com ela e ajudar a enfrentar os chefes – e essa é a parte mais legal do multiplayer. Ter outro jogador te ajudando é, na prática, ter um NPC bem equipado e inteligente lutando ao seu lado – dado que não há canal de voz e eu estou ok com isso.

Verdade, você pode invadir o jogo de outro jogador para tirar um PvP mas mesmo isso tem aspectos positivos

Você só pode “invadir” pessoas de nivel acima do seu

O anfitirão é avisado que esta sendo invadido e tem bastante tempo para se preparar

Se morrer sendo invadido, você não perde nada. Se morrer invadindo, você perde um nível.

Considere também que Demon’s Soul é um jogo antigo (2007), de modo que não tem tanta gente assim pra te invadir. Eu só fui invadido duas vezes, e uma foi quando eu estava me preparando pra enfrentar o ultimo chefe (e por prepparando, entenda com outros 2 jogadores junto hehehe), o rapaz mal teve tempo de tentar dar meia volta ao ver nós três ali no melhor estilo “aijesus FUDEU!” e apanhar mais que cusco que fugiu do canil. A outra vez que eu fui invadido é para enfrentar um dos chefes, em que o demonio daquele mundo conjura um jogador para te invadir e a luta do chefe na verdade é um PvP (o que pode ser muito fácil ou muito dificil, é questão de sorte mesmo)

“Essa é aquela hora que você estufa o peito, ergue a cabeça e diz com gosto:  AI FUDEU XENTI!”

Pra encerrar, existe ainda um complexo e interessante sistema de tendencias (de bom ou mal) em dois eixo: mundo e personagem e dependendo da tendencia do mundo e do personagem (que mudam conforme determinadas ações) muda areas acessiveis, itens conseguidos e NPCs encontrados, prolongando ainda mais o gameplay – que junto com o NG+ (ou seja, quando você termina o jogo começa de novo com o mesmo personagem e equipamento em um jogo mais dificil… AINDA) expandem a vida util do jogo para quem quer pegar tudo por muitas e muitas horas. Eu platinei o jogo com aproximadamente 120 horas de jogo no gameplay NG++++

Ufa… então, Demon’s Soul tem mais coisa que isso (mesmo) mas o básico dá para ter uma ideia.

Eu nunca, nunca mesmo tinha passado tanto tempo num jogo de ação que não é um genero que me apaixona (mesmo, as 20h de Resident Evil 4, que é um bom jogo, me parecem cansativas). Efetivamente, Demon’s Soul é o segundojogo que eu mais joguei até hoje em numero de horas (pouco atrás de Mass Effect) e pra quem joga a mais de 20 anos isso é dizer alguma coisa. É um jogo tão lazarentamente dificil que em algumas horas te faz quase desistir e chorar, mas sabe te recomenpensar com uma sensação de satisfação e conquistamento únicas.

E o que mais dizer de um jogo que por si só vale como ter valido a pena escolher o PS3 ao 360?

Demon’s souls foi um excelente jogo produzido pela From software, o game não nos mostra gráficos de ponta mas tanto os inimigos quanto os cenários vistos no game são imersivos em sua atmosfera perfeita para seu contexto, além do modo online que é muito interessante, há toda aquela variedade de armas, armaduras, magias e tudo mais que irão deixar o jogador entretido no game durante muito tempo.Curiosamente, em seu lançamento Demon’s Soul vendeu terrivelmente mal chegando a marca de 1 milhão de cópias (ou seja, pagou o custo de sua produção) quase só um ano depois devido ao boca-a-boca.

PS3, eu te amo

Troféu joinha de um dos jogos favoritos do C
E pra encerrar, liberte o grito que estava na sua cabeça desde a primeira imagem do post, admita.

PS: Esse post é dedicado a minha churupitinha amada, a qual me deu esse joguim de Dia das Crianças yaay!!! \o/